Fernando Alexandre anuncia reabertura de escolas na quarta-feira
As escolas vão reabrir na sua maioria na próxima quarta-feira na região de Leiria, anunciou o ministro da Educação, após ter recebido garantias nesse sentido.
"Não sei o que falhou". Ministra evita questões de jornalistas
A ministra da Administração Interna admite que não sabe o que falhou na ajuda e cooperação aos bombeiros e autoridades no terreno, no rescaldo da depressão Kristin.
"Nós vamos avaliando à medida das necessidades, da recolha de informação que vamos tendo. Os meios chegarão assim que ficarem disponíveis", afirmou aos jornalistas durante uma visita à região de Alvaiázere.
Dias após a depressão Kristin, as corporações de bombeiros desta zona do país muito afetada estiveram a trabalhar sem ajuda. Maria Lúcia Amaral admite não saber "o que falhou".
"Não consigo dizer [o que falhou]. O sistema é complexo e as entidades coordenadoras do Sistema de Proteção Civil têm tido todo o cuidado de garantir a colaboração entre todos. É preciso que se tenha em conta que as necessidades são muitas, de vários lados, que esta foi uma crise de aspetos múltiplos", continuou a ministra. "Tudo isso pode ter contribuído para que se sentisse a falta durante mais tempo".
Ao lado do autarca de Alvaiázere, a governante afirmou ainda que há um trabalho conjunto e que está na região "para que esse tipo de falhas não continue".
Questionada sobre o acionamento do Mecanismo Europeu de Proteção Civil, Maria Lúcia Amaral respondeu que a decisão "depende da fundamentação técnica" da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil.
Mecanismo europeu de Proteção Civil "não pode ser ativado por qualquer razão"
No verão, devido aos incêndios, "temos recorrido" a alguns tipos de meios e ajudas internacionais, como "meios aéreos". José Manuel Moura explicou que, neste momento, "Portugal ainda não esgotou a sua capacidade" de resposta.
Apesar dos pedidos de vários autarcas para que se reforcem os operacionais e as forças de segurança, o presidente da ANEPC considera que, para já, "não se justifica de todo um mecanismo para solicitar ajuda em termos de pessoas".
Contudo, o responsável não descarta a possibilidade de recorrer ao mecanismo europeu em caso de necessidade, após o agravamento das condições meteorológicas nos próximos dias.
"O mecanismo tem regras de acionamento; (...) tem equipamentos específicos", argumentou. "Todas as situação que nos foram solicitadas foram correspondidas".
José Manuel Moura acrescentou, todavia, que mecanismo europeu terá sido acionado "através do Copernicus".
"Mesmo relativamente à tipologia de cheias, se conseguirmos ter os leitos dos rios dentro do estuário normal, (...) temos algumas razões para estarmos ligeiramente otimistas".
O mecanismo europeu "poder ser ativado a qualquer momento", mas não "por qualquer razão".
DGS e Proteção Civil indicam regras para usar geradores com segurança
- manter o aparelho afastado pelo menos seis metros da casa;
- direcionar os gases de escape para longe das habitações.
Câmara da Nazaré questiona Governo sobre exclusão de apoios ao setor piscatório
Numa solicitação dirigida ao secretário de Estado das Pescas e do Mar, Salvador Malheiro, o presidente da Câmara da Nazaré, Serafim António, questiona "as razões que justificam esta exclusão, da comunicação pública relativa aos apoios financeiros extraordinários destinados a mitigar os prejuízos provocados pelas recentes intempéries".
Empresários de Santarém, Leiria e Coimbra pedem apoios a fundo perdido
As associações empresariais das regiões de Santarém, Leiria e Coimbra consideram que as medidas avançadas pelo Governo para ajudar na recuperação das empresas atingidas pela depressão Kristin são positivas, mas alertam para a falta de apoios a fundo perdido.
"As medidas do Governo são bem-vindas, achamos que estão bem enquadradas, fazem sentido, mas há um conjunto de outras propostas que nós iremos fazer chegar ao Governo ainda hoje, na reunião da Unidade de Missão", referiu o presidente da NERSANT -- Associação Empresarial da Região de Santarém, Rui Serrano.
Responsáveis da AIP -- Associação Industrial Portuguesa, NERLEI -- Associação Empresarial da Região de Leiria, NERSANT -- Associação Empresarial da Região de Santarém e NERC -- Associação Empresarial da Região de Coimbra estiveram reunidos esta manhã, para realizar um balanço dos impactos que a depressão Kristin teve nas empresas destes territórios e avaliar as medidas avançadas pelo Governo.
No final do encontro, Rui Serrano destacou que irão sugerir algumas medidas implementadas na altura da pandemia de Covid-19 e dos incêndios, que "já estão testadas em termos de mecanismos de apoios".
Para além do alívio fiscal, os empresários pretendem atribuições "de fundo perdido de alguma maneira".
"Isto é incentivar as pessoas, as empresas que possam nas suas soluções, não ser só as questões moratórias, não só a questão dos empréstimos, mas também haver aqui essa componente que achamos que é importante", sustentou.
Também o diretor executivo da NERLEI, Henrique Carvalho, considerou as medidas apresentadas pelo Governo positivas, mas disse estar preocupado com a sua operacionalização e com o facto de serem insuficientes para fazer face "aos grandes prejuízos e à calamidade" que as empresas enfrentam.
"Faltarão seguramente apoios que têm uma lógica mais de fundo perdido, porque as medidas mais fortes para as empresas, as duas grandes linhas são financiamento, e financiamento é mais dívida. Empresas que estão em fase de paragem operacional, porque não conseguem operar, ficarem com mais dívida apenas, é importante para soluções muito imediatas de curto prazo, mas são difíceis de resolver numa lógica mais de médio prazo", alertou.
Já o presidente da NERC, Horácio Pina Prata, observou que apesar de as medidas serem positivas, é importante olhar também para os setores económicos associados aos ciclos de produção e de escoamentos de produtos, que "têm uma afetação de lucros cessantes futuros extremamente complicados".
"Quando uma produção cai este ano, tem efeitos devastadores e não pode ser, para o setor agrícola, só 10 mil euros de apoio: tem que haver outros apoios concretamente. Por outro lado, as empresas que podem perder com isso os fornecimentos, podem ficar em situações complicadas, portanto, é preciso acautelar não só medidas que são positivas, mas é importante termos outras medidas que acautelem as situações futuras", salientou.
Nove pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois três óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.
Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 69 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
Proteção civil registou 764 ocorrências entre as 00h00 e as 12h30
A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) registou 764 ocorrências relacionadas com o mau tempo, entre as 00:00 e as 12:30, a maioria na região de Lisboa e Vale do Tejo, disse à Lusa o comandante Telmo Ferreira.
Entre as ocorrências, registaram-se 358 quedas de árvores, 149 quedas de estruturas, 134 inundações, 69 movimentos de massas e deslizamentos de taludes e 54 limpezas de via", adiantou.
Segundo a mesma fonte, a região de Lisboa e Vale do Tejo lidera em número de ocorrências, tendo registado 280 até às 12:30, logo seguida pelo Centro, com 272.
Também se verificaram ocorrências nas regiões Norte (103), Alentejo (82) e Algarve (27).
As descargas das barragens registaram "um incremento ligeiro" nas bacias dos rios Tejo e Mondego, mas "dentro daquilo que eram as previsões", assinalou ainda o comandante da Proteção Civil.
No que concerne à circulação ferroviária, a linha do Minho passou a estar suspensa, entre Barcelos e Tamel, informou a Infraestruturas de Portugal (IP).
Segundo um comunicado da IP, com ponto de situação feito às 12:00, mantêm-se condicionamentos em quatro vias: Linha do Norte (entre Soure e Coimbra B), Linha do Douro (entre a Régua e Pocinho), Ramal de Alfarelos (entre Alfarelos e Figueira da Foz) e Linha do Oeste (entre Mafra e Amieira).
Vários distritos de Portugal continental estiveram sob avisos durante a noite, por causa da chuva forte, vento e agitação marítima, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
Apoio à região de Leiria está a ser agilizado nos `sites` SOSLeira e TempestadeSOS
Entre os pedidos de ajuda das populações afetadas pela tempestade Kristin, destacam-se as situações de danos no telhado de habitações, com pessoas a pedirem lonas, telhas e mão-de-obra para ajudar nas reparações, segundo relatos nos 'sites' SOSLeiria (www.sosleiria.pt) e TempestadeSOS (www.tempestadesos.com).
Ponte de Penacova reabre após descida do caudal do rio Mondego
A ponte de Louredo, que liga a Estrada Regional (ER) 110 à Estrada Nacional (EN) 2 tinha sido encerrada ao trânsito no domingo, devido ao previsível aumento do caudal do rio.
A decisão tinha sido tomada em articulação com o município de Vila Nova de Poiares, a GNR e restantes autoridades.
DGAV prolonga até 15 de fevereiro declaração de ovinos e caprinos
"Considerando os constrangimentos operacionais identificados na sequência das condições meteorológicas adversas ocorridas durante o mês de janeiro, foi decidido, a título excecional, prolongar o prazo de entrega da declaração obrigatória de existências de ovinos e caprinos até ao próximo dia 15 de fevereiro de 2026", lê-se numa nota da DGAV.
O prazo inicial terminou no final de janeiro.
A DGAV precisou ainda que o IFAP -- Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas vai assegurar a operacionalidade da plataforma de registo, mantendo ativas as condições de acesso e os procedimentos.
Esta declaração pode ser submetida no portal do IFAP, nos departamentos dos serviços de alimentação e veterinária regionais ou nas entidades protocoladas com este instituto.
Caso não submetam esta declaração, os operadores ficam sujeitos a uma coima mínima de 100 euros.
Por outro lado, a não entrega deste documento determina a perda do direito de emissão de guias de circulação para a exploração e para o operador.
Federação de ginástica abre linha de apoio financeiro aos clubes
A iniciativa prevê um "apoio máximo por entidade de 7.500 euros", podendo este valor, excecionalmente, ser superior quando justificado e "enquadrado na disponibilidade total do apoio", explicou a Federação.
O apoio anunciado hoje pela FGP é apenas indicado para os efeitos da depressão Kristin em Portugal, nomeadamente para "reparações urgentes" de infraestruturas, reposições de condições de segurança, reparação de material gímnico danificado ou aluguer temporário de espaços para continuação da atividade.
Turismo do Centro pede reposta "rápida e eficaz" para hotelaria e restauração afetadas
"Todos percebemos que há prioridades e, neste momento, a preocupação é repor o abastecimento de água, de eletricidade e também recuperar as habitações danificadas. Mas, depois, é preciso dar uma resposta rápida e eficaz para resolvermos o mais rapidamente possível os problemas dos empresários do setor afetados", afirmou hoje Rui Ventura à agência Lusa.
Para tal, o presidente da Turismo do Centro disse contar com "a experiência" de Paulo Fernandes (ex-presidente da Câmara do Fundão), nomeado pelo Governo para liderar a Estrutura de Missão criada para apoiar a recuperação das áreas afetadas.
"É um autarca de referência e, com a experiência que tem, seguramente vai contribuir para, em articulação com todos, conseguirmos dar uma resposta rápida e eficaz".
O responsável já visitou algumas das zonas afetadas e disse ter ficado "muito impressionado" com o que viu.
"Uma coisa é ver na televisão, outra é ver no terreno. A devastação que causou é impressionante", considerou.
Rui Ventura acrescentou que "ainda é muito cedo" para contabilizar os impactos e prejuízos provocados pela depressão Kristin na restauração e hotelaria dos concelhos mais afetados.
"Já disponibilizámos um questionário para esse levantamento, à semelhança daquilo que fizemos nos incêndios, para depois remetermos para o Turismo de Portugal, tendo em conta as medidas que o Governo e o Turismo de Portugal já anunciaram ou vão anunciar de apoio aos empresários no setor da hotelaria e restauração".
O presidente da Turismo Centro de Portugal lembrou que, além desta tempestade, a região também foi "fortemente atingida" pelos incêndios, mas sublinhou que "fomos sempre conseguindo ultrapassar estes obstáculos, estas dificuldades".
"Agora, temos de fazer a avaliação e estar todos juntos a trabalhar para recuperar o mais rápido possível e estarmos preparados para continuar a dar aquilo que é a resposta positiva que o turismo no Centro de Portugal tem dado àqueles que nos visitam e procuram", realçou.
A Turismo do Centro já disponibilizou um formulário online para que municípios e empresários possam "reportar as perdas materiais e as necessidades registadas" na sequência da passagem da depressão Kristin.
"Depois de reunida esta informação, a Turismo Centro de Portugal irá estabelecer contactos com a tutela e com as entidades e parceiros da região, para que, em estreita articulação, sejam encontradas medidas rápidas e eficazes de apoio aos territórios atingidos", garantiu, em comunicado enviado à agência Lusa.
Atendendo às consequências do mau tempo, esta entidade pediu ainda aos turistas e visitantes da região para que "acompanhem atentamente as indicações das autoridades competentes, evitem deslocações desnecessárias para zonas afetadas e adotem comportamentos responsáveis, contribuindo para a segurança de todos".
Janeiro foi o mês com maior consumo de energia elétrica de sempre
O mês de janeiro de 2026 teve o maior consumo de energia elétrica de sempre registado no sistema nacional, segundo avançou hoje a REN - Redes Energéticas Nacionais.
"O consumo atingiu os 5,4 TWh [Terawatt-hora], um crescimento de 8,1% (5,9% com correção de temperatura e dias úteis) face ao mês homólogo do ano anterior, quando se tinha registado o anterior máximo mensal, 5,0 TWh", informou a REN, em comunicado.
Ao longo do mês foram sendo estabelecidos novos máximos no consumo diário, que acabou por se fixar no dia 23 de janeiro.
Quanto à produção, janeiro teve condições meteorológicas "particularmente favoráveis tanto para a produção hidroelétrica como para a eólica, com os índices de produtibilidade a registarem respetivamente, 1,33 e 1,35 (médias históricas de 1), tratando-se, em ambos os casos, dos índices mais elevados para o mês de janeiro desde 2014".
Por outro lado, o índice nas fotovoltaicas registou o menor valor para o mês de janeiro dos registos da REN, empresa responsável pela gestão global do Sistema Elétrico Nacional e do Sistema Nacional de Gás Natural.
No primeiro mês do ano, a produção renovável abasteceu 80% do consumo, com a hidroelétrica a representar 37%, a eólica 35%, a fotovoltaica 4% e a biomassa também 4%, de acordo com a REN.
"A produção não renovável, através das centrais a gás natural, abasteceu 14% do consumo, enquanto os restantes 6% foram abastecidos através de energia importada", indica.
Já no mercado de gás natural, observou-se o consumo mensal mais elevado desde julho de 2023, com o terminal de GNL de Sines a manter-se a principal fonte de abastecimento do sistema nacional.
O mês de janeiro foi marcado pelo mau tempo, nomeadamente pela passagem da depressão Kristin pelo território português, que provocou vento, chuva, neve e agitação marítima.
Bastonária alerta que próximos três meses são fundamentais para apoio psicológico
Neste momento, as populações estão concentradas na proteção física e na salvaguarda dos bens, seguindo as orientações da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, disse à agência Lusa Sofia Ramalho.
"Temos em primeiríssimo lugar que salvaguardar a proteção física das próprias pessoas", afirmou a bastonária, destacando que, nesta fase, todas as entidades estão no terreno: Proteção Civil, bombeiros, forças de segurança, exército, uma vez que foi ativado o Plano Nacional de Emergência de Proteção Civil.
Segundo a bastonária, o apoio psicológico é agora direcionado a "situações mais agudas" que possam surgir, como pessoas que descompensam emocionalmente, mas "o mais habitual" é que as pessoas se concentrem na proteção dos seus bens e na sua segurança face até à possibilidades de novas ocorrências ao longo destes dias.
O Centro de Apoio Psicológico de Intervenção em Crise (CAPIC) está ativado para responder a situações de emergência e de 'stress' agudo, em articulação com as Unidades Locais de Saúde (ULS).
As autarquias locais também têm equipas de apoio psicossocial que estão a colaborar no terreno, apoiando tanto os profissionais envolvidos na resposta como os cidadãos afetados.
A bastonária salientou que a intervenção dos psicólogos será necessária numa fase posterior quando as pessoas deixarem de estar tão centradas na proteção física e dos seus bens e começarem a surgir sintomas como 'stress' agudo.
Segundo a bastonária, essas situações tornam-se mais evidentes quando são associadas a perdas de bens materiais, situações de luto ou recuperação de pessoas feridas.
É também nos próximos dias e semanas, quando as pessoas tentam retomar as rotinas, que podem surgir quadros de ansiedade mais intensa, perturbações do sono e outros sintomas ligados à vivência de situações traumáticas.
Sofia Ramalho sublinhou que muitas das populações afetadas já tinham sido atingidas por incêndios no passado, "revivendo traumas e perdas repetidas", o que agrava as dificuldades sociais, económicas e financeiras das famílias e contribui para o aumento da ansiedade e do 'stress' pós-traumático.
"Os próximos três meses são fundamentais para o acompanhamento psicológico das populações do ponto de vista psicológico", alertou Sofia Ramalho, destacando que as ULS estão preparadas para acolher, a qualquer momento, casos de reações emocionais agudas.
A bastonária chamou ainda a atenção para "o impacto significativo" desta situação nas crianças, que tendem a sentir mais medo e ansiedade numa altura em que os adultos de referência - pais, os cuidadores, os professores -- estão focados na resposta à crise.
"Estão a reagir e não têm disponibilidade de tempo para acompanhar o que as crianças possam estar a viver e a sentir e, portanto, de alguma forma são levadas a terem que se organizar emocionalmente sozinhas. (...) Ficam com receio que a qualquer momento possam perder os pais e ser afetadas inclusivamente fisicamente por estas tempestades", disse, salientando que é preciso estar atento a sintomas de ansiedade que possam surgir.
De acordo com Sofia Ramalho, as equipas no terreno estão a monitorizar estas situações, procurando identificar sinais de maior vulnerabilidade emocional na população e encaminhando casos para as ULS quando necessário.
Penela ainda é um concelho "virado de pernas para o ar"
O presidente da Câmara de Penela disse hoje que o concelho ainda está "virado de pernas para o ar", que há preocupações com falhas de energia, comunicações e casas danificadas, e anunciou a reabertura das escolas para o segundo semestre.
Eduardo Nogueira dos Santos descreveu um concelho ainda "virado de pernas para o ar" e disse que, ao sexto dia após a depressão Kristin, "há uma série de pessoas que ainda não tem energia elétrica nas suas habitações".
"E isso é das questões que nos preocupa mais", salientou à agência Lusa, apontando ainda preocupações com a falta de comunicações e contabilizando "muitas centenas" de casas danificadas a diferentes níveis.
Questionado sobre se já tem uma ideia do valor dos prejuízos, o autarca respondeu que "é demasiado significativo" para já se ter uma noção.
"Entre edifícios públicos, privados e empresas, muitos milhões de euros", referiu, frisando que, nesta primeira fase, a "preocupação é com as pessoas e o seu bem-estar", e limpar as vias de comunicação.
O autarca do distrito de Coimbra anunciou que foi criado o contacto de e-mail -- danos@cm-penela.pt -- para o reporte de danos e ocorrências.
"O volume de contactos pode ser muito grande e assim criámos uma caixa de correio própria", explicou.
Eduardo Nogueira dos Santos disse ainda que vai pedir instruções à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro para saber como vai ser feito o levantamento dos estragos pedido pelo Governo às CCDR e quais os apoios disponibilizados.
Para mitigar as dificuldades, a Câmara disponibilizou um hostel municipal para acolher moradores afetados por danos em casas e, segundo o presidente, muitos aproveitaram o fim de semana para fazerem reparações nas suas habitações e mitigar os problemas.
"Esta noite tivemos mais um conjunto de constrangimentos. Mais telhados, mais árvores, não foi comparável com o dia 28, mas tivemos mais um conjunto de situações, o que nos obrigou a dar aqui um passo atrás, porque foram, de facto, mais danos e mais problemas", referiu.
O município disponibilizou as piscinas municipais para quem necessitar de tomar um banho de água quente e tem, espalhadas pelo concelho, equipas multidisciplinares para prestar apoio à população e identificar potenciais problemas.
"Temos um serviço de contacto com as famílias também em funcionamento uma vez que há zonas do concelho onde alguns operadores ainda não têm serviço", afirmou, referindo que o serviço de fibra ótica e telefone fixo "ficou muito afetado", o mesmo acontecendo nas comunicações móveis.
No concelho há ainda um espaço para teletrabalho, foram criados espaços para a deposição de resíduos de obras e florestais e, apesar de algumas limitações, as escolas do concelho reabriram hoje para o segundo semestre.
"Em Penela, um dos edifícios [escolares] ainda tem algumas limitações, conseguimos reparar o telhado durante o fim de semana, mas ainda tem algumas limitações a nível da parte elétrica que sofreu danos com a intempérie", referiu o autarca.
O concelho está abrangido pelo estado de calamidade e tem ativo o Plano Municipal de Emergência e Proteção Civil.
Na semana passada, Eduardo Nogueira dos Santos queixou-se de falta de meios para ajudar a recuperar Penela, adiantando hoje à Lusa que "houve um reforço de meios", estando no terreno bombeiros, um batalhão do Exército com 20 militares, elementos da Unidade de Emergência de Proteção e Socorro (UEPS) da GNR e sapadores florestais que estão a ajudar nas limpezas.
O autarca realçou ainda o espírito de solidariedade e de entreajuda que se tem sentido no concelho.
Nove pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo e Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos provocados pela depressão Kristin.
O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 69 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
Leiria lança plataforma Estragos.pt para reporte de danos
A Câmara de Leiria lançou hoje a plataforma Estragos.pt para os munícipes reportarem os danos originados pela depressão Kristin, anunciou o presidente, Gonçalo Lopes.
"O canal `Estragos` é uma iniciativa da Câmara com o apoio da Tekever [fabricante de drones], onde queremos que todas as pessoas, instituições, possam registar os seus estragos", afirmou aos jornalistas Gonçalo Lopes, nos Bombeiros Sapadores de Leiria, onde o município instalou o seu centro de operações.
O autarca apelou para que "todas as pessoas, quando tiverem condições e sem correr riscos", fotografem os seus estragos, "em especial no seu património habitacional, nos edifícios", e que enviem para essa plataforma.
De acordo com o autarca, aquela empresa já fez "voos de reconhecimento em muitos espaços" de parte da cidade, mas vai continuar "esse trabalho, para que seja útil", não só para o trabalho do município, mas, sobretudo, para as pessoas afetadas, nos pedidos de auxílio que vão ser necessários no âmbito da reconstrução.
Entretanto, a Câmara criou o endereço eletrónico reerguerleiria@cm-leiria.pt para pessoas e empresas que queiram entregar bens poderem obter informação.
"Estamos a viver momentos em que o povo português está a ser extremamente solidário, ao qual estamos muito agradecidos, temos muitos pedidos, mas também temos, felizmente, muitas pessoas e empresas a quererem ajudar", declarou.
Gonçalo Lopes adiantou que o concelho, com 130 mil habitantes, tem atualmente "45 mil edifícios sem eletricidade", reconhecendo que o "ritmo está a ser lento" para o restabelecimento.
A situação obriga a "um pedido de entreajuda suplementar", pelo que a autarquia está a reforçar a "campanha de angariação de geradores", para colocação no "maior número de espaços vitais, nomeadamente as escolas", a prioridade em termos de recuperação do património público, frisou.
As escolas D. Dinis, na sede do concelho, Maceira e Colmeias "são as três que ficaram em pior estado, as outras todas também estão mal, mas essas três estarão no topo", esclareceu o presidente da Câmara.
Entretanto, o município está a ativar estruturas de apoio comunitário nas freguesias.
"Estas estruturas, distribuídas estrategicamente pelo território, disponibilizam apoio à comunidade, estando algumas delas equipadas com geradores ou em processo de ligação, permitindo assegurar, sempre que possível, condições básicas como banhos, carregamento de telemóveis e a recolha de bens alimentares essenciais", segundo uma nota de imprensa.
A iniciativa pretende reforçar a capacidade de resposta local, em articulação com as juntas de freguesia, os agentes de Proteção Civil e outras entidades, "garantindo o acesso a serviços essenciais".
O município pede a colaboração dos munícipes, "quer através da utilização responsável destes espaços, quer mediante a doação de bens alimentares, que serão encaminhados para apoiar quem mais necessita".
Mau tempo. PS defende ativação imediata do mecanismo europeu de Proteção Civil
O PS vai enviar ao governo um plano de 12 pontos como contributo à resposta de emergência preparada pelo executivo de Luís Montenegro. José Luís Carneiro insiste que o Governo deve ativar imediatamente o mecanismo europeu de Proteção Civil.
BPI saúda "medidas exequíveis" e acredita que serão mais após levantamentos
O BPI saudou hoje as medidas anunciadas pelo Governo para apoiar as famílias e empresas afetadas pela depressão Kristin, incluindo as moratórias nos créditos, considerando-as exequíveis no imediato, acrescentando que serão mais após um levantamento mais aprofundado dos danos.
"Numa primeira fase é importante, primeiro, ter medidas exequíveis -- e o tema das moratórias é algo que as pessoas podem agarrar já, quer para a habitação, quer para as empresas", disse João Pedro Oliveira e Costa, na apresentação dos resultados de 2025, em Lisboa.
"Poderá, eventualmente, ter de haver mais medidas. Eu estou completamente crente, depois de ter uma análise mais profunda", acrescentou o banqueiro.
O presidente do BPI considerou que "houve um esforço" do Governo e assegurou que o setor financeiro "está envolvido".
No caso das empresas, apontou que serão aplicadas moratórias de crédito a todas as empresas elegíveis, de acordo com os critérios definidos pelo Estado, a que se somam as linhas de garantia do Banco Português de Fomento (BPF), de 1.500 milhões de euros, e a isenção total de todas as comissões de contas-correntes até a um ano, "seguindo os mesmos critérios de elegibilidade".
Já para as famílias, entre as medidas estão moratórias de 90 dias para crédito habitação - no caso de ser habitação própria ou permanente - e condições para crédito ao consumo à taxa fixa de 2,25%, "que, na prática, é com `spread` zero".
"A nossa grande prioridade é fazer chegar muito rapidamente essas ajudas às pessoas", disse João Pedro Oliveira e Costa.
Segundo o responsável do banco, há cinco balcões fechados.
O banqueiro identificou ainda o trabalho da Fundação La Caixa, que vai apoiar as instituições sociais nos distritos mais afetados. Esta fundação vai avançar com o programa Iniciativa Social Descentralizada, de dois milhões de euros, que permitirá à rede do banco aprovar iniciativas locais.
O BPI é o mais recente banco em Portugal a anunciar condições diferenciadas para as zonas afetadas pelo mau tempo, juntando-se a Novo Banco, Caixa Geral de Depósitos, Millennium BCP ou Abanca, entre outros.
Medidas do Governo são passo importante e desejado, defende autarca de Leiria
O presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes, considerou hoje que as medidas anunciadas pelo Governo para apoiar a reconstrução devido ao mau tempo são um passo importante e desejado, e pediu transparência e organização.
"Acho que foi um passo importante, que era desejado. O que percecionámos, desde a primeira hora, é que, de facto, a paisagem de Leiria, da região, tinha mudado, não foram só as árvores que caíram, foram os telhados que voaram, foram as escolas que encerraram, um cenário que era arrasador", afirmou Gonçalo Lopes.
O Conselho de Ministros aprovou no domingo um pacote de apoios que poderá atingir os 2,5 mil milhões de euros para responder aos estragos provocados pela depressão Kristin, abrangendo famílias, empresas e entidades públicas.
Aos jornalistas, nos Bombeiros Sapadores de Leiria, onde o município instalou um centro de operações, Gonçalo Lopes salientou que, felizmente, se conseguiu que "isso fosse entendido", reafirmando que "mais vale tarde do que nunca".
"Confirmava-se aquilo que tinha dito desde a primeira hora, `precisamos de um estado de calamidade, precisamos rapidamente de ter pessoas no terreno, precisamos rapidamente de ter ações", declarou.
O autarca exemplificou com a iniciativa de recolha e distribuição de 100 toneladas de plásticos e lonas, uma "operação simples", mas que "esta noite salvou muitas casas e salvou muito património de empresas e particulares".
"Se não tivesse sido feita, hoje estaríamos muito pior".
Questionado sobre se considerava as medidas suficientes, o socialista Gonçalo Lopes declarou que "têm um bom sentido".
"Não consigo verificar toda a dimensão dos apoios e a sua distribuição. Sei que há públicos-alvo a serem beneficiados, com o qual eu me revejo", como o património público, as famílias e as empresas, referiu, para salientar ser importante que haja transparência e organização na metodologia.
Medidas do Governo são boas mas devem ser complementadas, defende presidente AIP
O presidente da AIP - Associação Industrial Portuguesa, José Eduardo Carvalho, considerou hoje que as medidas avançadas pelo Governo para ajudar na recuperação das empresas atingidas pela depressão Kristin "são boas", no entanto, há necessidade de serem complementadas.
"As medidas são boas, vão no sentido certo, mas a cada dia que se passa começamos a ter uma perceção da dimensão deste problema. Neste momento, não é só a questão da recuperação dos ativos que está em causa", alertou.
A preocupação do presidente da AIP foi transmitida aos jornalistas no final de uma reunião que decorreu em Leiria e juntou à mesa responsáveis da NERLEI -- Associação Empresarial da Região de Leiria, NERSANT -- Associação Empresarial da Região de Santarém e NERC -- Associação Empresarial da Região de Coimbra.
De acordo com José Eduardo Carvalho, a preocupação tem também a ver com a paralisação das empresas e com alguma imprevisibilidade da reposição de energia elétrica.
"Tal vai levar a penalidades contratuais das empresas que não conseguem laborar, lucros cessantes e, portanto, o problema que aqui se coloca não é só o efeito da intempérie, mas com os problemas que já estão a decorrer", acrescentou.
Na análise feita às medidas do Governo, os empresários entenderam que algumas são "extremamente importantes", sendo exemplo disso a questão dos licenciamentos, as moratórias fiscais e o pacote de financiamento.
No entanto, face aos prejuízos e aos problemas que as empresas enfrentam, defendeu que "há necessidade de complementar aquelas medidas".
Aos jornalistas, José Eduardo Carvalho indicou ainda que vão entregar ao Governo, numa reunião que terá lugar esta tarde, um conjunto de sugestões para ajudar as empresas.
"Creio que as moratórias fiscais e os lay-offs têm de ser prorrogados, aquele prazo não é suficiente, face à dimensão que aqui existe. É necessário também entender que, quando se fazem moratórias é necessário assegurar que o Banco de Portugal esteja envolvido no processo e que as moratórias não provoquem `defaults` nas empresas, que criem problemas depois de acesso aos créditos", concretizou.
Segundo o presidente da AIP, as boas práticas nos pós-incêndios e durante a pandemia de Covid-19 devem ser aproveitadas e aplicadas, "obviamente numa dimensão territorial bem menor".
"Os efeitos aqui são muito devastadores", lamentou, indicando ainda que não têm a real noção da dimensão do volume de prejuízos, embora estime que tenham sido atingidos milhares de empresas.
Ansião mantém 60% do concelho sem eletricidade mas garante reabertura das escolas
O presidente da Câmara de Ansião, no distrito de Leiria, disse hoje que cerca de 60% do concelho continua sem eletricidade, após a depressão Kristin, mas assegurou que as escolas estarão em condições de abrir já na terça-feira.
Em declarações à agência Lusa, Jorge Cancelinha (PSD) afirmou que o município enfrenta "um rastro de destruição por todo o concelho", sublinhando que a reposição da rede elétrica é, neste momento, "a situação que mais preocupa".
"Isto acaba por comprometer uma série de serviços essenciais que temos que garantir à população e que a própria população também quer ter em sua casa para o seu bem-estar", apontou.
Já relativamente à rede de abastecimento de água, o autarca ressalvou que "está praticamente normalizada" e referiu que está a decorrer o levantamento de prejuízos em habitações, empresas e edifícios municipais.
Jorge Cancelinha explicou que a preocupação até agora foi de "suprir apenas as necessidades primárias" da população.
"Em primeiro lugar, conseguir garantir as condições de habitabilidade ao maior número de pessoas de nossos concidadãos e, hoje, particularmente, com um foco especial nas escolas para garantir que o máximo de escolas possam reabrir na próxima semana quando retornarmos às atividades letivas", apontou.
Relativamente à situação das escolas, o autarca esclareceu que, "em princípio", já estarão todas em condições de reabrir na terça-feira, mas, "devido à pausa letiva", será apenas necessário dar resposta ao primeiro ciclo e jardim-de-infância.
O autarca alertou ainda para a situação de centenas de pessoas cujas casas sofreram danos significativos e que não irão conseguir "repor as condições de um dia para o outro".
"Temos também alguns equipamentos municipais que foram afetados, nomeadamente equipamentos desportivos e parques de lazer que, neste momento, vão precisar de alguns meses para serem repostos",alertou.
Associação pede reafetação de verbas do E-Lar para ajuda a zonas afetadas
A Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis, Estações de Serviço, Estacionamentos e Lavagens Automóveis (Anarec) pediu hoje que sejam reavaliadas as verbas afetas ao programa E-Lar e, se necessário, reorientadas para zonas mais afetadas pelo mau tempo.
Num comunicado, a associação indicou que o programa E-Lar, que financia a troca de equipamentos domésticos, nomeadamente a gás, por outros mais eficientes, elétricos, "tem vindo a desvalorizar uma fonte energética essencial, resiliente e complementar, num momento em que o sistema elétrico nacional evidencia vulnerabilidades crescentes", tendo em conta os danos causados pelo mau tempo.
De acordo com a Anarec, a "aposta exclusiva ou predominantemente assente num modelo 100% elétrico traduz-se num risco estrutural elevado, ao criar uma dependência excessiva de uma única infraestrutura e ao reduzir a capacidade de resposta em cenários de falhas, apagões ou eventos extremos".
Para a associação, o "gás engarrafado desempenha um papel crítico na segurança energética nacional", visto que assegura "autonomia de abastecimento, redundância operacional e continuidade de serviço a populações, empresas e serviços essenciais", sobretudo em contextos de emergência ou disrupção energética.
"Importa ainda sublinhar que, em situações de quebra de fornecimento elétrico, a manutenção de serviços essenciais depende, muitas vezes, da disponibilidade imediata de fontes energéticas alternativas e de sistemas de contingência, como geradores", lembrou.
Por isso, destacou a Anarec, "os agentes económicos e operadores críticos têm, historicamente, assegurado de forma responsável a existência de reservas e o abastecimento de combustíveis líquidos (designadamente gasóleo) para alimentação desses geradores", algo indispensável para manter em funcionamento infraestruturas vitais e serviços de resposta, quando a rede elétrica falha.
Segundo a associação, esta realidade evidencia "a importância de políticas públicas que não fragilizem a redundância energética do país e que preservem um `mix` energético equilibrado, capaz de responder a diferentes cenários de risco".
Por isso, a Anarec "recomenda que as verbas atualmente afetas ao Programa E-Lar sejam reavaliadas e, se necessário, reorientadas", para que possam "apoiar empresas e consumidores afetados pelos prejuízos e danos verificados nas zonas especialmente afetadas".
"Mais uma vez, fica demonstrado que a diversidade energética não é uma opção ideológica, mas uma necessidade estratégica. O gás engarrafado é essencial e continuará a ser uma alternativa fiável, disponível e segura em todas as circunstâncias", rematou.
Nove pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois três óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.
Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 69 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
Grupo Ocidental dos Açores com aviso vermelho na quarta-feira devido a agitação marítima
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera emitiu hoje aviso vermelho, para quarta-feira, para as ilhas do grupo Ocidental dos Açores e laranja para o Central e Oriental, devido à agitação marítima.
Segundo o Centro de Previsão e Vigilância Meteorológica dos Açores do Instituto Português do Mar e Atmosfera (IPMA), a depressão Leonardo, com um sistema frontal associado, deverá provocar "um aumento significativo da intensidade do vento, com rajadas que poderão atingir os 110 quilómetros/hora nos grupos Ocidental (Flores e Corvo) e Central (Terceira, São Jorge, Pico, Faial e Graciosa) e os 100 quilómetros/hora no grupo Oriental (São Miguel e Santa Maria).
"Espera-se que a agitação marítima aumente, com ondas que poderão chegar de altura significativa aos 10 metros no grupo Ocidental (podendo a onda máxima atingir os 19 metros), aos nove metros no grupo Central e aos oito metros no grupo Oriental", informa o IPMA.
O IPMA adianta ainda que "a influência desta depressão Leonardo deverá começar a sentir-se a partir de quarta-feira".
Assim, e segundo o IPMA, as ilhas do grupo Ocidental vão estar sob aviso laranja entre as 09:00 e as 15:00 de quarta-feira, passando a aviso vermelho (o mais grave de uma escala de três), até às 21:00 de quarta-feira, período em que há previsões de ondas de oeste (W), com 10 metros de altura significativa e altura máxima até 19 metros.
A partir das 21:00 de quarta-feira o aviso de agitação marítima passa a laranja até às 00:00, baixando para amarelo até às 11:00 de quinta-feira.
As duas ilhas do grupo Ocidental do arquipélago açoriano vão também estar sob aviso laranja devido ao vento (direção de sudoeste, rodando para noroeste, entre as 12:00 e as 21:00 de quarta-feira.
Flores e Corvo estarão ainda sob aviso amarelo até às 06:00 de quinta-feira, por causa do vento.
Para as ilhas do grupo Oriental, o IPMA emitiu aviso laranja, entre as 21:00 de quarta-feira e as 03:00 de quinta-feira, baixando para amarelo até às 11:00 de quinta-feira.
As ilhas de São Miguel e Santa Maria vão estar também sob aviso amarelo, referente a vento, entre as 12:00 de quarta-feira e as 06:00 de quinta-feira.
Para o grupo Central foi emitido aviso laranja devido à agitação marítima, entre as 15:00 de quarta-feira e as 03:00 de quinta-feira, baixando para amarelo, até às 11:00 de quinta-feira.
Quanto ao vento, o IPMA emitiu aviso laranja para as cinco ilhas do grupo Central, entre as 15:00 de quarta-feira e as 00:00 de quinta-feira.
O aviso baixará para amarelo a partir da madrugada de quinta-feira, vigorando até às 06:00 de quinta-feira.
O aviso vermelho é emitido pelo IPMA nos casos de situação meteorológica de risco extremo. Já o aviso laranja indica uma situação meteorológica de risco moderado a elevado e o amarelo risco para determinadas atividades dependentes da situação meteorológica.
Ministra defende enterramento de linhas para tornar rede elétrica mais resiliente
A ministra do Ambiente e Energia defendeu hoje o enterramento de linhas elétricas para reforçar a resiliência da rede, numa altura em que cerca de 149 mil clientes permanecem sem eletricidade após a tempestade Kristin.
Maria da Graça Carvalho falava numa conferência de imprensa conjunta com o comissário europeu para a Energia e Habitação, Dan Jørgensen, após uma reunião bilateral e uma mesa-redonda com representantes do setor energético.
A governante afirmou que os fenómenos extremos associados às alterações climáticas exigem uma adaptação estrutural das infraestruturas energéticas, sublinhando que Portugal tem atualmente apenas cerca de 20% da rede elétrica enterrada.
"Temos de pensar a nossa rede de uma forma diferente", afirmou a ministra, admitindo a necessidade de aumentar o enterramento de linhas, apesar dos custos acrescidos, num contexto em que tempestades desta dimensão eram raras no passado.
A ministra comparou a situação portuguesa com a de outros países europeus, como Espanha e Itália, onde a percentagem de redes subterrâneas atinge cerca de 45%, defendendo uma abordagem equilibrada entre custos para consumidores e contribuintes e ganhos de resiliência. O investimento necessário para esta estratégia não foi detalhado.
No entanto, adiantou que no plano europeu o reforço da resiliência das redes portuguesas foi discutido com a Comissão Europeia no âmbito do futuro pacote europeu para as redes elétricas ("grid package"), defendendo que as necessidades de países periféricos, como Portugal, devem ser consideradas no financiamento comunitário.
Segundo a governante, a tempestade Kristin provocou falhas generalizadas em toda a cadeia da rede elétrica, afetando alta, média e baixa tensão, tendo deixado, na primeira noite, cerca de 1,1 milhões de clientes sem eletricidade.
"A alta tensão está já resolvida, mas persistem problemas significativos na baixa tensão", disse, adiantando que, no momento, faltava repor o fornecimento a cerca de 149 mil clientes, dos quais 122 mil eram residenciais.
De acordo com a ministra, cerca de 100 mil desses clientes concentram-se numa única região, Leiria, sendo estas "as situações mais difíceis" de resolver, após o cumprimento do compromisso da E-Redes de recuperar 80% da rede em cinco dias. Isto apesar de em algumas zonas a forte chuva e vento que se fez sentir hoje de madrugada ter complicado a reparação e, até mesmo, causado mais danos.
Maria da Graça Carvalho destacou ainda o esforço de mobilização de geradores, referindo que estão a ser distribuídos mais de 200 equipamentos, entre meios públicos e privados, para garantir o funcionamento de infraestruturas críticas, escolas, empresas e sistemas de abastecimento de água.
A ministra sublinhou que cerca de 90 a 95% das instalações de água já se encontram operacionais, graças ao recurso a geradores, reconhecendo o trabalho conjunto de entidades públicas, operadores privados e autoridades espanholas na gestão das barragens e na prevenção de cheias.
Amarante reforça alerta para perigo de derrocadas e aluimentos
"O que mais me preocupa neste momento, porque não é visível, não se consegue aferir, não se consegue antecipar, são derrocadas e aluimentos que possam acontecer. Já aconteceram alguns no nosso município, e em toda a região, porque as terras começam a ficar sem conseguir suportar muito mais água", disse à agência Lusa Ricardo Vieira.
Sobre aluimentos e derrocadas que aconteceram já nos últimos dias, o autarca sublinhou que "felizmente em Amarante (distrito do Porto) estes não causaram danos físicos", mas enfatizou que "esta é atualmente a maior preocupação".
"O alerta que eu faço, um pedido aliás, é para que as pessoas, se puderem, não circularem. Mas se circularem, que circulem com bastante precaução", sublinhou.
Quanto ao alerta para a possibilidade de cheias na zona ribeirinha devido ao previsível aumento do caudal do rio Tâmega (afluente do Douro), o vereador da Proteção Civil de Amarante garantiu que "os meios e a população estão preparados para evacuar a zona caso seja necessário", acrescentando que a situação está a ser monitorizada "minuto a minuto".
"Conseguimos planear medidas com algumas horas de antecedência para evacuar, caso seja necessário, esta zona ribeirinha. Estamos atentos, calmos e serenos porque não há para já nada que nos leve a tomar medidas mais drásticas", disse o vereador.
À Lusa, cerca das 12:00, Ricardo Vieira avançou que o leito do rio "não está com proporções que levem a recear o pior", mas sendo "evidente que as previsões não são muito positivas", mantém-se o alerta para moradores e comerciantes da Rua 31 de Janeiro e do Arquinho.
"Hoje, por exemplo, o rio subiu meio metro em relação ao dia de ontem, mas mantém-se abaixo daquilo que poderá provocar maiores danos. Os moradores já estão habituados a lidar com estas situações e nós também. Estamos atentos, vamos recebendo informação daquilo que são as descargas, quer a montante, quer a jusante, porque quer umas, quer outras influenciam no leito. Vamos monitorizando minuto a minuto", reforçou.
Ainda a propósito do mau tempo, Ricardo Vieira referiu que foram montados no concelho -- um no pavilhão municipal de Amarante e outro no quartel dos bombeiros voluntários de Vila Meã -- dois pontos de recolha de alimentos e material para apoiar a população mais afetada da região Centro do país.
"Tive o cuidado de entrar em contacto com o vereador da Proteção Civil de Leiria na sexta-feira à noite. Disseram que, além dos produtos alimentares, eram precisos materiais de construção, lonas e plásticos para as coberturas de casas que ficaram sem telhado, e temos recolhido um pouco de tudo", revelou.
Segundo o autarca, seguiram já para Leiria "duas carrinhas cheias" com alimentos, material de construção, três geradores, colchões e estrados, e seguirão "em breve" outros carregamentos para outras zonas afetadas.
Descargas da barragem de Touvedo inundam Ponte de Lima e Ponte da Barca
Contactado pela agência Lusa, o comandante dos Bombeiros Voluntários de Ponte de Lima explicou que o rio Lima "inundou o areal, já encostou ao paredão do Passeio 25 de Abril, mas ainda galgou para o passeio".
Já na outra margem, Carlos Lima disse que o Clube Náutico está inundado "com uns metros valentes de água".
"O clube estava de sobreaviso e tinha retirado o material do interior das instalações", referiu.
Segundo Carlos Lima, o rio vai continuar a subir por causa das descargas da barragem do Touvedo, da chuva e da preia-mar às 15:00".
"A albufeira de Touvedo estava a debitar, cerca das 10:00, 500 metros cúbicos de água por segundo. Recebe água da barragem do Alto Lindoso e já não consegue encaixar", explicou.
Além das descargas, o rio Lima está ainda a receber as águas do rio Vez, em Arcos de Valdevez.
Além de algumas estradas municipais cortadas ou condicionadas devido à subida das águas do rio Estorãos, cerca das 12:20 "não havia registo de vítimas ou estragos materiais".
O comandante dos Bombeiros Voluntários de Ponte de Lima, no distrito de Viana do Castelo, garantiu que "os meios estão posicionados para acompanhar o evoluir da situação e para a eventual tomada de medidas especiais".
No município vizinho de Ponte da Barca, o comandante dos Bombeiros Voluntários, Carlos Veloso, disse que "o rio Lima galgou as margens, no domingo à tarde, e inundou a zona do Choupal".
Hoje "o nível das águas mantém-se, mas ainda não atingiu o restaurante e o comércio situado perto do rio".
"A proteção civil e os bombeiros fecharam os parques de estacionamento no Choupal e Campo da Feira", especificou.
Carlos Veloso referiu que, às 12:30, "a barragem de Touvedo continuava a descarregar", temendo que "a começar a chover com intensidade os estabelecimentos situados junto ao rio sejam afetados".
"O rio Vade, que vem de Vila Verde, distrito de Braga, está com muita força e também desagua no rio Lima, causando inundações", adiantou.
Segundo Carlos Veloso, cerca das 12:30, não havia registo de vítimas ou danos materiais.
Trabalhos de limpeza já arrancaram em Alcácer do Sal
O agravamento do estado do tempo fez subir rapidamente o caudal do Rio Sado, em Alcácer do Sal. Apesar disso, a situação parece estar controlada e seguem-se os trabalhos de limpeza.
Barragens estão a fazer descargas controladas
Para evitar cheias em várias cidades do país, as atenções estão agora viradas para as barragens.
Foto: Nuno Veiga - Lusa
A maior preocupação é o Mondego.
Distrito de Aveiro com 19 vias cortadas a inundações - GNR
Os concelhos de Águeda e de Estarreja são os que apresentam o maior número de vias sem circulação e todas sem previsão de duração do corte.
Em Águeda, segundo a GNR, existem seis vias afetadas devido a inundações, nomeadamente a Estrada Municipal 577 (Fontinha), a Rua da Pateira (Fermentelos), a estrada do Campo (Espinhel e Recardães), a Rua do Campo (Segadães) e a Rua da Ponte da Barca (Serém). Ainda neste concelho está interdita a Rua do Covão (Aguieira) devido a desmoronamento.
Em Estarreja, a GNR dá conta da interdição da Rua dos Moinhos (Pardilhó), da Rua General Artur Beirão (Canelas), da estrada paralela à linha férrea, junto à BIORIA (Canelas), da Rua da Estação (Canelas) e da Rua do Vale (Fermelã).
A GNR dá ainda conta de duas vias interditas em Aveiro, nomeadamente a Rua Direita e a Rua da Pateira, em Requeixo, e cortes na EN 230-2 e na Rua do Ribeiro, em Angeja, no concelho de Albergaria-a-Velha.
Finalmente, em Ovar, destaque para as interdições da Rua da Floresta, da Rua da Estrada Nova e da Avenida da Praia em Esmoriz.
Voluntários e ajuda alimentar concentrada no Estádio de Leiria
Junto ao estádio municipal de Leiria distribuem-se telhas e ajuda alimentar. Dezenas de voluntários são o suporte para quem perdeu tudo.
Cheias em Pombal levam à retirada preventiva de 46 pessoas
Foram retiradas de casa 46 pessoas em Pombal devido ao risco de cheias. A medida foi preventiva e afetou quem vive nas margens do rio Arunca.
Grua caiu sobre seis prédios na Figueira da Foz
Uma grua de grandes dimensões caiu sobre seis prédios no centro da Figueira da Foz.
João Agante - RTP
Apesar do susto não há feridos mas foi preciso retirar os moradores e realojar três pessoas.
Bruxelas garante solidariedade com Portugal e reforço da resiliência das redes elétricas
A Comissão Europeia manifestou hoje solidariedade com Portugal face aos impactos do mau tempo, defendendo uma resposta articulada, recurso ao fundo de solidariedade e investimento em redes elétricas mais resilientes.
A mensagem foi reforçada hoje pelo comissário para a Energia e Habitação, Dan Jørgensen, que visitou Portugal para discutir políticas energéticas e habitacionais, e participou numa conferência de imprensa com a ministra do Ambiente Energia, após uma reunião bilateral.
Maria da Graça Carvalho afirmou que o Governo português está a trabalhar "desde a primeira hora" com a Comissão Europeia para definir a melhor forma de mobilizar apoio europeu na resposta aos danos provocados pela tempestade Kristin.
"O Governo de Portugal está a articular-se e a trabalhar com a Comissão Europeia para definir a melhor forma de mobilizar ajuda nesta catástrofe", afirmou a ministra, na conferência de imprensa conjunta.
Maria da Graça Carvalho agradeceu, através do comissário, as mensagens de solidariedade da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, dirigidas ao primeiro-ministro e a Portugal, sublinhando que estão a ser avaliadas várias opções de financiamento europeu.
Segundo a ministra, está em curso uma primeira contabilização dos danos para aferir o eventual acesso ao fundo de solidariedade da União Europeia (UE), uma vez que necessita de um valor mínimo de 1,6 mil milhões de euros, enquanto decorrem contactos sobre outras possibilidades de apoio, ações coordenadas pelos ministros da Economia, Manuel Castro Almeida.
Hoje, a Comissão Europeia tinha confirmado que não recebeu pedidos de Portugal para alterar o Plano de Recuperação e Resiliência nas regiões afetadas pela tempestade Kristin, ou ativar o mecanismo europeu de proteção civil, instando antes à utilização do fundo de solidariedade.
A governante destacou o trabalho de coordenação entre entidades públicas e privadas do setor energético, sublinhando os esforços da REN e da E-Redes na reposição do fornecimento elétrico, após a tempestade ter deixado cerca de 1,1 milhões de clientes sem eletricidade.
Por seu lado, Dan Jørgensen expressou "solidariedade para com as famílias das vítimas da terrível tempestade" e com "as milhares de pessoas que sofrem com a falta de eletricidade e outras consequências muito graves".
"O que posso afirmar muito claramente é que nós, na Comissão Europeia, estamos solidários com Portugal e faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para ajudar nesta situação difícil", declarou.
O comissário europeu elogiou a estratégia portuguesa de rápida implantação de energias renováveis, considerando-a "muito bem sucedida" e um "bom exemplo" para o resto da Europa.
Segundo Dan Jørgensen, a UE enfrenta dois grandes desafios: baixar os preços da energia e reforçar a resiliência e a segurança energética, ao mesmo tempo que descarboniza a economia para combater as alterações climáticas, objetivos que passam por uma forte aposta nas renováveis.
Para isso, defendeu, é necessário um sistema de redes "mais preparado para o futuro", planeado à escala europeia e com maior interligação transfronteiriça, enquadramento a ser trabalhado no futuro pacote europeu para as redes elétricas ("grid package").
O comissário adiantou que a Comissão Europeia está a rever as regras de licenciamento energético, considerando que os atuais processos "demoram demasiado tempo", e afirmou contar com Portugal "como um dos líderes" na aceleração dessas reformas.
Sublinhou a importância do reforço das interligações da Península Ibérica ao resto da Europa, nomeadamente com França, acrescentando que a proposta da Comissão para o próximo orçamento de longo prazo da UE reflete essa prioridade.
Alcácer do Sal com "situação controlada"
Clarisse Santos, que deixou uma palavra de apreço aos bombeiros e aos trabalhadores da autarquia, acrescentou que prosseguem os trabalhos de limpeza.
A área mais baixa da cidade contínua sem eletricidade.
Em Casal dos Bernardos procurou-se coveiro para funeral
Na freguesia de Casal dos Bernardos, em Ourém, realiza-se hoje o primeiro funeral, após a tempestade de quarta-feira, apesar de o cemitério ter ficado danificado e de ser difícil encontrar o coveiro.
A falta de comunicações obriga os residentes a marcar pontos de encontro para combinarem obras de restauro em residências ou a retirada de árvores, e, no caso do presidente da Junta de Freguesia, encontrar o coveiro para o funeral que vai ter de se realizar hoje à tarde.
"A Junta de Freguesia trata dos funerais, de toda a burocracia com as funerárias, mas não estou a ser capaz de encontrar o coveiro", lamentou Aníbal Pereira, o autarca local.
Trata-se do funeral de um habitante local que morreu de causas naturais nos últimos dias, não tendo sido possível realizar anteriormente as cerimónias fúnebres, devido às condições climatéricas e aos acessos bloqueados.
Uma parte significativa das campas do cemitério da freguesia de Casal dos Bernardos, no concelho de Ourém, no distrito de Santarém, ficaram seriamente danificadas, sobretudo as lápides de mármore e de granito polido de grandes dimensões.
O cemitério, fundado em 1948, fica em frente ao adro da Igreja de Santo António e, apesar de ficar num ponto alto, as telecomunicações são impossíveis.
O telhado da igreja de Santo António ficou também seriamente danificado pela força do vento da tempestade Kristin, na madrugada de quarta-feira.
Aníbal Pereira e outros elementos da Junta de Freguesia, na impossibilidade de estabelecer contactos telefónicos têm de se deslocar de carro para tentar encontrar bombeiros, professores, auxiliares e no caso de hoje de manhã, o coveiro.
O funcionário do cemitério acabou por ser localizado a meio da manhã, confirmando-se a realização do funeral, sendo que os habitantes foram alertados da cerimónia por conversas e recados que foram sendo transmitidos de morador para morador.
A antena de telecomunicações instalada na freguesia não garante desde a semana passada as telecomunicações na localidade, que carece também do fornecimento de eletricidade.
As refeições são confecionadas, pelos habitantes, em fogões a gás ou através de geradores elétricos de pequenas dimensões.
Hoje, segundo o autarca local, é possível que venha a ser instalado um gerador industrial capaz de fornecer eletricidade às casas junto à Igreja de Santo António, no centro da freguesia.
Os telhados das casas estão danificados e milhares de árvores estão cortadas ao meio, sendo que em muitos casos a força dos ventos levantou pinheiros e eucaliptos pelas raízes.
Não muito longe do cemitério, a cobertura de metal de uma paragem de camionetas cimentada ao chão foi projetada para o outro lado da estrada indo embater no muro de uma casa.
Muitos postes de eletricidade estão derrubados.
"Há aqui trabalho para muito tempo", desabafou Aníbal Pereira frisando que a escola básica reabriu e que se vai realizar o primeiro funeral depois da tempestade.
As bátegas de chuva nesta região caem desde as 09:30 da manhã.
Não há vento mas a temperatura desceu.
Instituto de Apoio à Criança disponibiliza apoio psicológico
"Todas as crianças e jovens que sintam necessidade de falar ou procurem ajuda" podem ligar para a Linha SOS Criança e Jovem que funciona nos dias úteis, de forma gratuita e confidencial, através do número europeu 116111, do WhatsApp 913069404, do 'email' soscrianca@iacrianca.pt e do chat em www.iacrianca.pt, refere o IAC em comunicado.
"Para além dos prejuízos materiais, as situações desta natureza trazem consequências emocionais, como sentimentos de tristeza, insegurança, ansiedade e medo, especialmente nas crianças e nos jovens", adianta.
O IAC relembra que estas reações são naturais e que é fundamental assegurar a existência de espaços seguros de escuta e de apoio durante este período de recuperação.
Salienta ainda "a importância da articulação entre famílias, escolas, serviços de saúde e entidades locais, no reforço das respostas de apoio emocional às crianças e jovens, encontrando-se também disponível para apoiar estas estruturas, sempre que necessário".
"Num momento em que se inicia a reconstrução das comunidades afetadas, cuidar da saúde emocional é também cuidar do futuro", sublinha.
"Vou avaliar o que se passa". Presidente da República poderá voltar às zonas afetadas
O Presidente da República foi questionado à saída do encontro com o Papa sobre se pretende voltar a visitar as áreas afetadas pelo mau tempo, mas refere que ainda vai analisar a situação.
CIP: Apoios são os adequados, mas têm de chegar rapidamente ao terreno
A CIP, Confederação Empresarial de Portugal, considerou hoje que o pacote de 2.500 milhões de euros anunciado pelo Governo para mitigar os danos da depressão Kristin responde às necessidades, desde que seja implementado rapidamente e sem complicações.
"Em vez de um plano perfeitinho, [...] é preciso um pragmatismo para que a ajuda chegue rapidamente e de uma forma descomplicada. Porque muitas vezes fazem-se planos sempre perfeitos, mas que pela sua execução não resolvem coisa nenhuma", afirmou Armindo Monteiro em declarações à agência Lusa.
Salientando que o país vive atualmente "uma situação de urgência", com "um rasto de destruição total em muitas zonas", o dirigente associativo enfatizou estarem em causa "milhares de postos de trabalho numa das zonas mais constituídas por pequenas e médias empresas, que estão em risco".
"Podemos ter aquela zona, que é das mais empreendedoras, numa base de subsídios de desemprego e não pode ser. Estas medidas têm que permitir duas coisas: uma, manter os postos de trabalho; e a outra, voltar rapidamente ao volume de produção", sustentou.
Para Armindo Monteiro, o plano de apoio anunciado no domingo pelo executivo de Luís Montenegro vai ao encontro das necessidades atuais e das "situações cirúrgicas" que a CIP considera que têm de ser endereçadas, já que "permite ter situações de apoio para períodos de carência, situações de apoio para a Segurança Social, apoio à tesouraria e permite identificar já a reposição dos equipamentos necessários para as empresas retomarem" a atividade.
Contudo, "é fundamental que seja feito e seja feito rápido", embora tal não queira dizer "sem escrutínio", sustentou.
"O escrutínio é necessário que seja feito. Mas uma coisa é escrutinar para que o dinheiro seja bem entregue e bem aplicado, e outra coisa é papéis e papelinhos enquanto está esta situação caótica. É preciso ser pragmático para que as medidas cheguem ao terreno e rapidamente se consiga manter os postos de trabalho e voltar aos volumes de produção", reiterou o dirigente da CIP.
De acordo com Armindo Monteiro, importante é também "recuperar o ânimo" dos empresários afetados, que, "se não houver um sentimento de solidariedade, podem naturalmente desistir".
"Imagine-se o que é um empresário que tem ali todo o seu património, porque, em muitos casos, o património empresarial das pequenas e médias empresas confunde-se com o próprio património pessoal. Pode não retomar e dizer simplesmente que tudo está perdido", disse.
"É preciso recuperar o ânimo daqueles que perderam tudo para que voltem a ter a coragem e a motivação para recomeçar. É que recomeçar, muitas vezes, é mais difícil do que começar", rematou.
O Governo anunciou no domingo um pacote de apoios de 2.500 milhões de euros para mitigar os danos causados pela tempestade Kristin, destinando-se esta verba à recuperação de infraestruturas, apoio a empresas e auxílio a famílias afetadas, incluindo a reconstrução de habitações sem seguro.
GNR, PSP e Município de Leiria alertam para burlas
A GNR, a PSP e o Município de Leiria estão a alertar a população para burlas e avisaram que em contextos de reconstrução como o atual, devido à depressão Kristin, podem surgir casos de pessoas que se fazem passar por entidades públicas.
"Temos informação de que existem pessoas a deslocarem-se a habitações, em nome de diversas entidades públicas, incluindo o município, e a prestarem informações falsas e, eventualmente, a pedirem dinheiro", divulgou a autarquia nas redes sociais.
A Câmara pediu aos cidadãos para que não abram a porta de casa, nem forneçam dados pessoais, apelando ainda para que não assinem documentos nem aceitem supostas verificações de serviços ou pedidos de pagamento.
Em caso de dúvida, contactem diretamente os serviços municipais ou as autoridades, recomendou a autarquia.
O Comando Territorial de Leiria da Guarda Nacional Republicana (GNR) adiantou à Lusa que, "embora, até ao momento, não tenha sido reportada qualquer ocorrência deste tipo" na sua área de intervenção, "é frequente que, em contextos de reconstrução e fragilidade", pessoas mal-intencionadas "se façam passar por técnicos de serviços, funcionários de instituições ou representantes de autoridades para extorquir dinheiro ou aceder a residências".
A GNR esclareceu que "tem intensificado a sua presença no terreno", com "vigilância ativa nas zonas mais fustigadas" pela depressão, contacto porta a porta com "os cidadãos mais idosos e isolados, prestando conselhos de segurança personalizados", e alertas contínuos nas redes sociais.
Para evitarem ser vítimas de fraude, a GNR recomendou aos cidadãos para que não permitam a entrada de estranhos em casa, "mesmo que se identifiquem como técnicos de reparação (luz, água, gás)" ou funcionários do Estado "sem que tenha solicitado o serviço previamente".
Por outro lado, aconselhou que peçam "sempre o cartão de identificação profissional" e, em caso de dúvida, contactem a empresa ou entidade que a pessoa diz representar antes de abrir a porta.
Além da não entregarem dinheiro, a GNR apelou para as pessoas suspeitarem de "pagamento imediato em numerário para `taxas urgentes`, `limpezas de detritos` ou `processos de indemnização`", mantenham os vizinhos informados sempre que alguém estranho aborde e denunciem sempre às autoridades comportamentos suspeitos, quer à GNR, quer pelo número nacional de emergência, 112.
Já o Comando Distrital de Leiria da Polícia de Segurança Pública referiu ser "muito importante que as pessoas nao se deixem iludir pelo excesso de disponibilidade e voluntarismo de pessoas estranhas", pedindo "para que identifiquem as pessoas e, sendo desconhecidas, chamem a polícia".
A PSP alertou "para falsos prestadores de serviços de construção, vendedores de materiais e equipamentos, em particular geradores, peritos de seguros, funcionários municipais ou de assistência social".
"Devem apenas aceitar ajudas de pessoas que tenham conhecimento e perfeitamente identificadas, e denunciem situações, procurando recolher dados fisionómicos e matrículas dos veículos utilizados por estas pessoas", recomendou a PSP, insistindo para que nunca permitam a entrada de estranhos em casa.
A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, causou pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho. No sábado, outros dois homens morreram ao caírem de um telhado que estavam a reparar, um no concelho da Batalha e outro em Alcobaça. Na madrugada de domingo, um homem morreu no concelho de Leiria por intoxicação com monóxido de carbono com origem num gerador.
Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.
Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade, que foi prolongada este domingo, após uma reunião do Conselho de Ministros, até domingo.
Derrocada de terras corta circulação na Linha do Minho em Barcelos
A circulação na Linha do Minho entre as estações de Tamel e Barcelos está cortada, devido a uma derrocada de terras, disse fonte do Comando Sub-Regional do Cávado da Proteção Civil.
Segundo a fonte, a circulação na linha ferroviária está suspensa desde as 10:45.
A derrocada de terras ocorreu na freguesia de Carapeços e, segundo a Junta de Freguesia local, a ocorrência levou também ao corte da Rua da Mámoa.
Fonte da Infraestruturas de Portugal disse não haver previsão para a reabertura daquele troço, estando os trabalhos de reparação em curso.
GNR: Perto de 70 vias interditas à circulação rodoviária
Perto de 70 vias, entre caminhos municipais, estradas municipais e estradas nacionais estavam hoje, pelas 10h35, interditas à circulação rodoviária devido às condições adversas, nomeadamente inundações e desmoronamentos, de acordo com a GNR.
Em Coimbra existem seis estradas municipais e dois caminhos municipais interditos à circulação e também a Estrada Nacional (EN) 110 entre os quilómetros 4,8 e 11,8 km em Louredo, a EN 11 em Maiorca e na zona dos Campos alagados, a EN344 ao km20 em Castanheira da Serra, a EN341 em Pereira e em Granja do Ulmeiro, e a EN236 em Casal Novo.
Já pertencente ao Comando Territorial de Leiria, a GNR dá conta da interdição da EN-1-6 em Barrocas-Pombal, da EN 243 em Alcaria e da EN 8-2 em Casal de Lourim, não havendo previsão para a abertura.
No Comando Territorial de Portalegre estão interditas a EN 246-1 no Marvão e a EN245 em Fronteira, além de nove estradas e caminhos municipais, na zona de Avis, Elvas, Campo Maior e Alter do Chão.
No Comando Territorial de Santarém destaque para as interdições na EN365 ao km 60, na Golegã, para a EN368 em Alpiarça e EN3-2 na Valada. Encontram-se ainda interditas cinco estradas municipais na zona da Chamusca, Couço e Benavente.
Para o Comando Territorial de Setúbal há registos de um corte da EN2 em Ferreira do Alentejo por uma queda de árvore, além da estrada municipal 541 em Santa Catarina, em Alcácer do Sal.
Em Évora assiste-se ao corte da estrada municipal 537 em Montemor-o-Novo. No Comando Territorial de Lisboa há interdições na EN 8-2 em Casal de Lourim, na Lourinhã, e na EN 9-1 no Linhó.
Mais a norte, em Viseu, o Comando Territorial dá registo de interdições na EN2, entre os quilómetros 133,5 e 134 em Castro de Aire e na EN323 entre o km 33 e o km 40 na Foz do Távora-Tabuaço, além de mais quatro estradas municipais.
Também a A24, entre os km 94,7 a 101,5 em Valdigem, sendo alternativas a EN2 e a EN313.
O Comando Territorial de Vila Real dá conta de interdições em quatro estradas municipais em Santa Marta de Penaguião, Gouvães do Douro, Vila Marim-Mesão Frio e Alijó.
No Comando Territorial de Aveiro há cortes na EN230 em Angeja e na EM 577 (Fontinha), enquanto em Braga há registo de interdições na EN205-1, em Rio Tinto e nas EM537 e 607.
No Comando Territorial de Castelo Branco há interdições na EN240, em Salvaterra do Extremo e Termas de Monfortinho e em mais quatro estradas municipais.
Já segundo a BCR - Brisa Concessão Rodoviária a circulação no ramo de entrada da A14 no Nó Santa Eulália, no sentido Coimbra/Figueira da Foz, vai ser cortada, embora não tenha especificado horas.
De acordo a concessionaria da auto-estrada, ainda se encontra igualmente fechado o ramo de saída da A14 no Nó Santa Eulália para a N111 no mesmo sentido.
Governo ainda não chegou a todos os municípios, diz autarca de Tomar
O autarca de Tomar lamentou hoje o esquecimento mediático do concelho após a tempestade da semana passada e admitiu que o Governo ainda não chegou a todos os municípios, tal como as autarquias não chegaram a todo o lado.
"Eu diria da mesma forma que as pessoas, legitimamente, podem dizer que a Câmara, os serviços municipais, as juntas de freguesia, ainda não chegaram a todo o lado, porque é verdade, o território é extenso e é impossível ter chegado já a todo o lado, também nós autarcas, podemos dizer o mesmo, ou seja, o Governo realmente ainda não chegou a todo lado", afirmou à Lusa Tiago Carrão, presidente de uma das Câmaras mais atingidas pelo temporal.
O autarca disse que os desafios que tem pela frente "são muitos e o orçamento municipal não é suficiente para fazer face àquilo que são os prejuízos municipais, mas também para apoiar as pessoas, as famílias e as empresas e, portanto, o Estado tem, garantidamente, que intervir para evitar situações que sejam muito complexas daqui para a frente".
Considerando que "o espaço noticioso em relação ao Tomar tem sido um pouco injusto, porque nós também sofremos bastante com esta tempestade", Tiago Carrão procurou, "desde a primeira hora", informar os "secretários de Estado e os ministros competentes daquilo que se passou em Tomar para que Tomar não fique esquecido".
Tomar foi uma das autarquias que mais sofreu com a depressão Kristin e esteve presente na reunião em Leiria com autarcas vizinhos e governantes, procurando "deixar bem claro" as necessidades do concelho.
"Tomar não é exceção a alguns concelhos daqui da região, fomos bastante afetados por este temporal em várias dimensões, desde logo materiais", nomeadamente nalgumas freguesias como "a Sabacheira, Olalhas, Além da Ribeira e Pedreira ou Casais e Alviobeira", que foram particularmente afetadas e onde persistem muitas zonas sem eletricidade e comunicações.
Além das habitações, há "prejuízos em viaturas, mas também equipamentos municipais como o complexo desportivo municipal, que perdeu parte da cobertura, uma torre do estádio municipal que tombou e temos também ao nível patrimonial um elemento simbólico da nossa mata nacional dos Sete Montes e que é parte do complexo monumental do Convento de Cristo", explicou Tiago Carrão.
Destruído monumento renascentista junto ao Convento de Cristo em Tomar
Apesar da chuva, rio Ceira não voltou a inundar o Cabouco
As autoridades temiam na madrugada de hoje uma inundação do rio Ceira, afluente do Mondego, na localidade do Cabouco, às portas de Coimbra, mas as piores previsões não se concretizaram.
"Estávamos alertados, mas, apesar de ter chovido muito durante toda a noite, o rio não inundou os campos e as casas, como na semana passada", disse à agência Lusa Lurdes Antunes, proprietária do café Tolan, o único da aldeia.
Depois das cheias da semana passada, em que a água dentro do café atingiu cerca de 1,70 metro de altura, danificando vários equipamentos, o caudal começou a reduzir na sexta-feira e, nesse dia à noite, já não havia água dos terrenos contíguos à margem.
No entanto, o caudal do rio aumentou cerca de um metro entre a 00:00 e as 09:00 da manhã de hoje, disse Lurdes Antunes, habituada quase todos os anos a lidar com este cenário de cheias.
Devido aos alertas da Proteção Civil, quase toda a população da zona mais baixa do Cabouco foi pernoitar a casa de familiares, adiantou a comerciante.
"Praticamente não ficou ninguém a dormir na zona baixa. Se houve um ou dois moradores a ficar em casa foi muito", acrescentou a sua sobrinha Cátia Martins.
No pavilhão da Casa do Povo de Ceira, a Câmara de Coimbra tinha montado uma zona de concentração e apoio para acolher eventuais desalojados, o que acabou por não acontecer.
"Não foi preciso aqui ninguém pernoitar", confirmou à agência Lusa o presidente da Casa do Povo de Ceira, Arlindo Santos.
Para a eventualidade de evacuar localidades devido a inundações, a Câmara de Coimbra criou sete áreas no concelho para onde as pessoas se deverão dirigir e que todos os agentes de proteção civil têm conhecimento dessa informação.
Bruxelas não recebeu pedido para alterar PRR e aconselha uso de fundo de solidariedade
"Portugal ainda não solicitou a alteração do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Ainda o pode fazer, mas todos os marcos e metas revistos teriam de ser implementados até ao prazo final, que é agosto de 2026. Portugal tem a possibilidade de alterar o plano de recuperação, (mas) ainda não foi feito qualquer pedido", disse o porta-voz do executivo comunitário para a tutela da Coesão e Reformas, Maciej Berestecki, na conferência de imprensa diária da instituição, em Bruxelas.
E, além disso, "posso confirmar que, até ao momento, Portugal não ativou o mecanismo de proteção civil", adiantou Paula Pinho, em resposta a questões da Lusa.
Maciej Berestecki contextualizou que "existem outros dois instrumentos que podem ser utilizados para responder aos danos que afetaram Portugal".
"Em primeiro lugar, o Fundo de Solidariedade da União Europeia, que pode ser solicitado por Portugal e Portugal tem 12 semanas para apresentar o seu pedido" após uma estimativa dos danos, cabendo depois a Bruxelas avaliar e propor um pagamento, que tem de ser aprovado pelo Conselho e Parlamento (colegisladores).
Outro instrumento diz respeito às verbas da política de coesão, "que podem ser reprogramadas por Portugal para responder aos danos causados pela tempestade", explicou o porta-voz.
c/Lusa
Duas ruas cortadas ao trânsito na Maia devido à subida do caudal do rio Leça
Num aviso à população divulgado nas redes sociais pelas 10:30, a autarquia do distrito do Porto pede a "adoção de percursos alternativos", sem especificar quais, e solicita o "cumprimento das indicações de segurança no local".
A câmara refere que o encerramento ao trânsito é temporário e que "a situação será acompanhada pelos serviços municipais", pelo que a circulação será "restabelecida assim que estejam garantidas as condições de segurança".
O distrito do Porto vai estar sob aviso laranja a partir das 12:00, e até às 00:00 de quarta-feira, devido à agitação marítima.
CM da Sertã apela a meios humanos e técnicos por parte do Governo
Contactado pela Lusa, Calos Miranda, começou por explicar que "o Governo tem que mobilizar todos os meios para dar apoio".
"Não precisamos de alimentos porque não há quebra nas cadeias de abastecimentos, precisamos é de meios humanos e técnicos no terreno para nos ajudar", afirmou o autarca.
Embora seja difícil precisar neste momento o balanço total de prejuízos, Carlos Miranda não tem dúvidas de que estes ultrapassam os 20/30 milhões de euros.
Para o autarca, "agora, a principal preocupação tem sido a rede elétrica, porque está a ser reconstruída a uma velocidade muito lenta", sublinhando o "excelente trabalho feito pelas equipas da E-Redes".
Calos Miranda explicou que "o grau de destruição é imenso e não é possível para essas equipas fazerem todo o trabalho num prazo que seja razoável para as pessoas".
"A situação é muito precária e a este ritmo vamos demorar semanas ou meses a restabelecer a normalidade", afirmou o autarca.
No dia 01 de fevereiro a Câmara Municipal informou que no concelho da Sertã (distrito de Castelo Branco) havia 7.000 clientes sem energia elétrica.
Neste sentido, Carlos Miranda considerou ser necessária uma mobilização de meios técnicos e humanos nacionais e internacionais para dar apoio à E-Redes no terreno.
Chaves reforça alertar para o risco de cheia no rio Tâmega
"Neste momento todos os meios estão sinalizados e estamos a acompanhar hora a hora a evolução da situação, que a nível da pluviosidade quer da evolução do caudal do rio para que se possa, antecipadamente, avisar todos aqueles que, porventura, possam estar com algum risco associado à inundação", afirmou Nuno Vaz.
O concelho de Chaves está em aviso vermelho devido à previsão de vento forte, precipitação persistente e intensa nas próximas horas, uma situação que levou já à ativação de todos os meios de Proteção Civil de Chaves que estão em prontidão, nível IV.
O autarca Nuno Vaz disse que, até domingo à noite, o caudal desceu, mas adiantou que desde esta madrugada que está a subir "à razão de sete centímetros à hora".
"Mas, ainda assim, neste momento ele não transbordou ainda, estará a cerca de 40 a 50 centímetros de que isso possa acontecer", referiu Nuno Vaz, que falava à agência Lusa por volta das 11:00.
Durante a noite foram, concretizou, operacionalizadas medidas como a colocação de grades nas ruas de acesso, que são mais suscetíveis de inundar, e fizeram-se avisos à população com mensagens através de telemóvel (SMS).
O presidente especificou que são cerca de 50 habitações que estão sinalizadas com maior risco e que, por isso, os seus moradores e comerciantes foram notificados por SMS para que precauções e para que colocarem a salvo os seus bens.
A população foi instada à adoção de comportamentos preventivos, como por exemplo evitar deslocações desnecessárias, a não permanência nas zonas ribeirinhas e especial atenção na circulação rodoviária.
Ao mesmo tempo, acrescentou o presidente, a Proteção Civil fez algumas diligências junto dessas habitações, salientando ainda o apoio das forças de segurança, a PSP na parte urbana e a GNR no meio rural, e das corporações de bombeiros.
Em alerta por causa das cheias, estão também as cidades de Amarante, pelo rio Tâmega, e do Peso da Régua, pelo rio Douro.
Câmara Montemor-o-Velho pede suspensão temporária das portagens na A14
Perante "os diversos condicionamentos na circulação rodoviária nesta região", o Presidente da Câmara Municipal de Montemor-o-Velho, Jorge Veríssimo, solicitou ao secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha, "a suspensão temporária do pagamento de portagens na A14, enquanto se mantiverem estas limitações".
Numa atualização dos condicionamentos à circulação rodoviária neste concelho, do distrito de Coimbra, a autarquia informou que entrada na A14 de Montemor-o-Velho (nó de Santa Eulália), no sentido Coimbra - Figueira da Foz, se encontra cortada devido a alagamento no túnel de acesso.
Em alternativa, "quem pretenda entrar na A14 em direção à Figueira da Foz, deverá utilizar o acesso junto à rotunda Alves Barbosa, em Montemor-o-Velho", pode ler-se no comunicado.
No sentido Figueira da Foz - Coimbra a saída para Montemor-o-Velho/Maiorca mantém-se aberta.
No sentido Coimbra - Figueira da Foz, a saída 4 (Montemor-o-Velho/Maiorca) continua encerrada, por motivos de segurança, informou ainda a Câmara.
Reposição de energia e comunicações é a maior urgência em Oleiros
"Neste momento, a nossa maior urgência é que o restabelecimento da energia elétrica e das comunicações se faça com a maior brevidade possível. É a nossa maior urgência", sublinhou à agência Lusa Miguel Marques.
O presidente da Câmara de Oleiros, no distrito de Castelo Branco, salientou que "cerca de 40% do concelho está sem energia elétrica, com localidades a serem alimentadas com recurso a geradores".
"Estamos a trabalhar em colaboração com a E-Redes, e têm sido incansáveis. Conseguimos alguns geradores de entidades, como os (Bombeiros) Sapadores de Lisboa e o Exército, e empresas e particulares e fomos instalando" no concelho.
Ainda assim, "há muitos postes elétricos partidos, de média e baixa tensão, e, por isso, seguramente mais de mil pessoas continuam sem energia elétrica, mesmo com o uso dos geradores", notou Miguel Marques.
O concelho de Oleiros "é muito disperso, com muitas aldeias em que os postes elétricos estão partidos e sem acesso aos geradores", afirmou o autarca.
Miguel Marques disse que, hoje, "persistem problemas nas comunicações, com a rede muito instável, há freguesias que continuam sem comunicações".
Sem conseguir ainda contabilizar em valor monetário os prejuízos da depressão Kristin, Miguel Marques enumerou "graves danos em muitas casas de habitação própria e permanente, sobretudo nas coberturas, com os telhados danificados e, consequentemente, as pessoas tiveram prejuízos no interior das suas casas".
Miguel Marques realçou que, apesar desses danos e de "três situações mais complicadas", a Câmara de Oleiros "não realojou ninguém, porque as pessoas preferiram ficar com familiares e vizinhos que disponibilizaram" esse acolhimento.
"Temos vários danos em edifícios públicos, a começar pela Câmara Municipal de Oleiros em que foi levantada parte da cobertura e, consequentemente, a entrada de precipitação em gabinetes, inclusive no meu e no salão nobre", indicou.
Este concelho do distrito de Castelo Branco registou ainda "um rasto de destruição em equipamentos desportivos, nos passadiços, em muitos edifícios públicos, com graves prejuízos e ainda explorações florestais e agrícolas totalmente devastadas".
O presidente acrescentou que as previsões meteorológicas para esta semana são de "chuva intensa e ventos fortes" e, por isso, "toda a precaução é necessária, apesar de esta noite não ter provocado grandes danos e ter sido mais calma do que o esperado".
Macau e Hong Kong alertam para atrasos no correio para Portugal
Num comunicado, o Hongkong Post anunciou que "os serviços de entrega de correio para Portugal estão sujeitos a atrasos devido às condições meteorológicas adversas", de acordo com indicação dos CTT - Correios de Portugal.
Os Correios da vizinha região de Macau disseram, numa resposta escrita à Lusa, que também foram notificados pelos CTT que, "devido às condições meteorológicas adversas em Portugal, os serviços de entrega de correio de Macau para aquele destino vão sofrer atrasos".
Os censos de 2021 indicam mais de 2.200 pessoas nascidas em Portugal a viver em Macau. A última estimativa dada à Lusa pelo Consulado-geral de Portugal apontava para cerca de 155 mil portadores de passaporte português entre os residentes de Macau e Hong Kong.
Reposta a circulação rodoviária na calçada da Estação em Campolide
Penacova voltou a sentir falhas de energia em aldeias por causa do vento
O município de Penacova registou hoje falhas de energia elétrica em algumas aldeias devido ao vento, numa altura em que ainda faz o levantamento dos prejuízos da depressão Kristin, mais sentido na queda de árvores e rede viária.
"Nós, 48 horas após a depressão, tínhamos todas as aldeias já com energia reposta, mas esta noite, com o vento forte, voltou a falhar em algumas aldeias", disse à agência Lusa o presidente da Câmara, Álvaro Coimbra, sem conseguir, neste momento, concretizar quantas localidades e adiantando que os piquetes da E-Redes já estão no local a tentar resolver a situação.
No domingo, este município do distrito de Coimbra alertou a população para a possibilidade de agravamento das cheias na bacia hidrográfica do rio Mondego, em especial nas zonas historicamente mais vulneráveis, por causa das previsões meteorológicas e hidrológicas.
"O rio até baixou o caudal. Nós encerrámos preventivamente a ponte de Louredo, que atravessa o rio Mondego, no domingo, mas estamos até a reavaliar a possibilidade de reabrir porque o caudal do rio baixou", afirmou, no entanto, o autarca.
Sobre as consequências da depressão Kristin da semana passada, Álvaro Coimbra disse que o concelho não teve "danos muito graves", aproveitando para prestar a sua solidariedade com outros concelhos mais afetados.
"Largas dezenas de quedas de árvores, muitos deslizamentos de terras e taludes, a nossa rede de estradas está bastante afetada com essa situação, mas a grande maioria delas está transitável", elencou.
Lembrando que a Estrada Nacional (EN) 110, que liga Penacova a Coimbra, permanece encerrada ao trânsito, mas devido a um deslizamento de terras que ocorreu dias antes da passagem da depressão Kristin pelo território.
"Tivemos também notícia de quatro a cinco habitações com telhados parcialmente danificados, mas ainda estamos a fazer o levantamento", referiu, adiantando que foi disponibilizado um formulário para que moradores e empresas possam reportar esses danos e o município possa ter um relatório mais completo da situação.
Sobre os danos nos telhados, disse que foram situações que tiveram "apoio imediato" dos serviços de ação social do município e que não houve necessidade de realojar.
"Telhados que foram danificados apenas parcialmente e são situações que estão a ser todas solucionadas", frisou.
Alqueva retoma descargas por "persistência de caudais afluentes elevados"
A Barragem do Alqueva voltou hoje a efetuar descargas de água devido à "persistência de caudais afluentes elevados" provocados pelas chuvas intensas, retomando uma operação iniciada na quarta-feira e interrompida após 48 horas, anunciou a empresa.
Em comunicado, a Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA) indicou que, face à "persistência de caudais afluentes elevados", foi necessário "proceder à abertura dos descarregadores de meio-fundo" da barragem.
Assim, desde as 09:00 de hoje, que Alqueva "está a libertar um caudal de descarga inicial de 600 metros cúbicos por segundo (m3/s), que, somado ao caudal turbinado (800 m3/s), perfaz um caudal total lançado de 1.400 m3/s a jusante da barragem", adiantou.
Segundo a EDIA, esta abertura dos descarregadores de meio-fundo aconteceu depois de, na noite passada, a barragem de Alqueva ter recebido "um grande volume de água devido às chuvas intensas, com afluências na ordem dos 3.000 m3/s".
A água proveniente das descargas de Alqueva vai seguir até à Barragem do Pedrógão, que também está integrada neste empreendimento de fins múltiplos e já está a descarregar desde o passado dia 21 deste mês para o Rio Guadiana.
"Na Barragem de Pedrógão, o caudal descarregado é de 1.500 m3/s", assinalou.
Perante o risco de cheias, a empresa recomenda às populações que adotem "comportamentos de precaução nas zonas potencialmente afetadas" e pede a "colaboração de todas as entidades e populações ribeirinhas na prevenção de situações de risco".
"A EDIA encontra-se a acompanhar permanentemente a evolução da situação, procedendo aos ajustamentos operacionais que se revelem necessários e assegurando a articulação contínua com as entidades competentes", assinalou.
Neste comunicado, a empresa salientou que "a gestão controlada dos caudais permitiu reduzir o risco de cheias a jusante, protegendo populações e bens ao longo do Rio Guadiana".
"O episódio demonstra a importância da Barragem de Alqueva, enquanto estrutura essencial, também para controlar caudais elevados e garantir maior segurança face a fenómenos meteorológicos extremos", acrescentou.
Na sexta-feira à tarde, depois de cerca de 48 horas em descarga, a operação foi interrompida, porque o nível de armazenamento tinha sido controlado, explicou à Lusa, no sábado, o presidente da EDIA, José Pedro Salema.
As descargas controladas no Alqueva tinham sido iniciadas às 16:00 de quarta-feira, através da abertura dos descarregadores de meio fundo, para responder ao facto de a albufeira se encontrar próxima do Nível de Pleno Armazenamento.
A última operação de descargas controladas nesta barragem, situada entre Portel, no distrito de Évora, e Moura, no distrito de Beja, havia sido efetuada em 2013, também para gerir o volume de água da albufeira, que se aproximou da capacidade máxima de armazenamento (antes disso tinha acontecido por mais duas vezes).
A cota máxima da albufeira de Alqueva é a 152, que corresponde a uma capacidade total de armazenamento de 4.150 hectómetros cúbicos de água.
Intoxicação originada por gerador faz dois feridos no concelho de Porto de Mós
Duas pessoas ficaram feridas, uma das quais com gravidade, na madrugada de hoje, no concelho de Porto de Mós, devido a intoxicação por monóxido de carbono com origem num gerador, disseram fontes da Proteção Civil.
O comandante dos Bombeiros Voluntários de Porto de Mós, Elísio Pereira, explicou tratar-se de intoxicação por monóxido de carbono originada por um gerador, na freguesia de Alqueidão da Serra.
O ferido grave é um homem de 64 anos e o ferido ligeiro é uma mulher de 62 anos, tendo sido ambos transportados para o hospital.
A situação ocorreu pelas 03:00, no lugar de Covas Altas, adiantou o Comando Sub-regional de Emergência e Proteção Civil da Região de Leiria.
No domingo, um homem morreu por intoxicação com monóxido de carbono com origem num gerador, no concelho de Leiria.
No mesmo dia, em Alcobaça, uma intoxicação com origem num gerador afetou nove pessoas, cinco das quais em estado grave.
Indústria do vidro com milhões de euros de prejuízo em danos e com perda de exportações
A Associação dos Industriais de Vidro de Embalagem quantificou hoje em milhões de euros os prejuízos para o setor, que aos custos da reconstrução das fábricas danificadas soma as exportações perdidas devido à depressão Kristin.
"Os prejuízos vão ser de milhões", disse à agência Lusa o presidente da Associação dos Industriais de Vidro de Embalagem (AIVE), Tiago Moreira da Silva, considerando "o estado em que estão as fábricas na Marinha Grande, e mesmo na Figueira da Foz", e sustentando que "todos os atores desta indústria na região estão bastante danificados".
De acordo com este responsável, em causa estão os custos da reconstrução "das infraestruturas, principalmente a infraestrutura de cobertura, a infraestrutura de filtros, a infraestrutura de armazéns", mas, também, "as exportações perdidas".
Das três empresas associadas da AIVE (BA Glass, Vidrala e Verallia Portugal), o diretor da Vidrala, Carlos Barranha, exemplificou com a situação das duas unidades de produção na Marinha Grande, que normalmente produzem entre oito e 10 milhões de garrafas por dia, e que a depressão obrigou a "quatro dias de paragem total".
Seis fornos e 23 linhas de produção que representam quase 1.000 postos de trabalho diretos, e fabricam aproximadamente 2.400 toneladas de vidro por dia, estão agora "em fase de restabelecimento progressivo da capacidade produtiva", numa altura em se desconhecem "os custos de reparação e reposição dessas instalações".
"Apesar do impacto nos nossos armazéns, onde temos milhares de toneladas de stock, temos sido capazes de manter os nossos clientes abastecidos sem atrasos relevantes", afirmou Carlos Barranha, acrescentando que a empresa tem "feito os possíveis para ajudar as pessoas, distribuindo gratuitamente gasóleo para as viaturas dos colaboradores, garrafões de água, fruta fresca, as três principais refeições do dia servidas nas cantinas e acesso das famílias aos balneários das fábricas".
Quer este empresário, quer Tiago Moreira da Silva, CEO da BA Glass, outra das associadas da AIVE, elogiam o empenho dos trabalhadores da indústria vidreira e de "todos os portugueses que vieram para ajudar a reconstruir".
Mas para o presidente da AIVE o importante agora é que o pacote de apoios anunciados pelo Governo "se materialize de uma forma rápida e eficaz", dado os prejuízos do setor onde, ainda assim, os postos de trabalho não estarão em perigo se as empresas voltarem rapidamente a laborar.
"O risco da nossa indústria agora está um bocado posto de lado", já que "o grande problema é ficar sem energia elétrica durante muito tempo".
Se assim for, a perda de negócio e a perda da economia poderia levar, de facto, a lay-offs ou a despedimentos, porque não se consegue recuperar".
À Lusa, Tiago Moreira da Silva disse ainda que é preciso "tirar ensinamentos deste evento".
"Os meios de comunicação entre autoridades têm de ser, mais uma vez, testados, ensaiados e funcionais", disse, criticando a demora "na reação e a coordenação após a passagem de depressão".
Também "a comunicação de E-Redes tem de ser mais transparente", sustentou, considerando quem "nestas ocasiões, não se pode ser vago sobre o que é que se está a fazer" quando, dado os impactos de corte de energia muito longos em indústrias como as do vidro.
Decorrem trabalhos para remoção da grua que caiu na Figueira da Foz
Os técnicos estão a proceder a vistorias para verificar as condições estruturais dos edifícios atingidos.
Capitania do Porto do Funchal volta a prolongar avisos para mar da Madeira
As previsões do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) para a situação geral do estado do tempo (vento e mar) apontam para vento de noroeste forte, até os 61 quilómetros por hora, diminuindo depois de velocidade para "muito fresco (entre os 40 e os 50 quilómetros por hora)".
Quanto à ondulação, na costa norte as vagas serão de noroeste aumentando para cinco a seis metros, sendo até os três metros na parte sul, enquanto a visibilidade vai ser "boa a moderara".
Devido a estas condições meteorológicas, a autoridade marítima regional insiste nas recomendações a toda a comunidade marítima e à população em geral para os cuidados a ter, tanto na preparação de uma ida para o mar, como quando estão no mar ou em zonas costeiras.
Caldas da Rainha sem eletricidade por intervenção da E-Redes
Uma intervenção da E-Redes num posto de muito alta tensão obrigou hoje ao corte da eletricidade no concelho de Caldas da Rainha, no distrito de Leiria, informou o município após comunicação da empresa.
E-Redes registou um aumento do número de avarias durante a madrugada
A E-Redes registou hoje um aumento do número de novas avarias na rede elétrica nacional, devido ao agravamento das condições atmosféricas durante a madrugada, e às 08h00 estavam sem luz 161 mil clientes.
Nas zonas mais críticas estavam sem energia 151 mil clientes, na maioria em Leiria, com 110 mil clientes afetados, Santarém, com 26 mil, Castelo Branco, com 12 mil, e Coimbra, com três mil.
Entre as 00:00 e as 08:00, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) registou 263 ocorrências relacionadas com o mau tempo, a maioria na região de Lisboa e Vale do Tejo, nomeadamente 135 quedas de árvores, 58 inundações e 41 quedas de estruturas.
No anterior balanço da E-Redes, às 19:00 de domingo, estavam cerca de 159 mil clientes sem eletricidade.
Os clientes da E-Redes correspondem a "pontos de entrega de energia" como habitações, empresas ou lojas com ligação elétrica, sendo assim difícil quantificar o número de pessoas que estão a ser afetadas.
A rede elétrica nacional foi afetada há seis dias, na quarta-feira, pela passagem da depressão Kristin, com ventos que superam os 220 quilómetros por hora.
Câmara de Alvaiázere pede desesperadamente mais bombeiros
O presidente da Câmara de Alvaiázere, concelho do distrito de Leiria gravemente afetado pela depressão Kristin, pediu hoje "desesperadamente apoio de bombeiros", porque os da corporação local estão exaustos.
"Os nossos bombeiros voluntários têm sido exemplares, têm estado com elevada disponibilidade todos os dias, mas estão a ficar exaustos. Vemos por essa região fora e também noutras regiões vizinhas corporações de bombeiros a apoiarem os bombeiros dos territórios que foram afetados. Em Alvaiázere, já pedimos e pedimos e pedimos e ainda não tivemos apoio de nenhuma corporação de bombeiros", disse à agência Lusa João Paulo Guerreiro.
Afirmando perceber que nas regiões afetadas pela depressão e agora pelas cheias exista uma forte pressão, o autarca notou, contudo, que "parte do país, nomeadamente a zona sul, ainda não está em risco de sofrer nenhum tipo de devastação parecida" como a de Alvaiázere, pelo que pede "desesperadamente apoio de equipas de bombeiros" para o concelho.
Forças Armadas reforçam dispositivo no terreno com mais de 1.000 militares
As Forças Armadas têm mais de mil militares empenhados no terreno para apoio direto à população, além de 211 viaturas e 12 equipamentos de comunicações de emergência, anunciou hoje o Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA).
De acordo com um comunicado do EMGFA, com dados referentes a domingo, estão empenhados 1090 militares no apoio direto às populações, valor que não inclui "o pessoal em alerta, nem os militares envolvidos na preparação e apoio logístico aos módulos envolvidos".
O último número disponibilizado pelas Forças Armadas fazia referência a 240 militares no terreno. No domingo, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, anunciou que nos próximos dias deverão estar 2.000 a 3.000 militares envolvidos nas operações.
No que toca a meios terrestres, as Forças Armadas têm 211 viaturas a operar e 23 máquinas de engenharia.
Foram disponibilizados 12 geradores para fornecimento de energia, o reforço ou disponibilidade de comunicações de emergência através de 12 equipamentos Starlink (satélites), e estão a operar 20 equipas para limpeza e cortes de árvores, das quais 12 com motosserras.
De acordo com o EMGFA, ainda existem 12 operações de desobstrução e limpeza de vias rodoviárias em curso, e estão duas equipas anfíbias em Coimbra e Tancos.
Um total de 150 pessoas está a ser apoiado no que toca a alojamento e alimentação e foram disponibilizados 80 sacos-cama. Segundo o comunicado, as Forças Armadas têm ainda disponibilidade para 1860 camas em 15 unidades militares e 1562 refeições por dia em diferentes unidades militares.
46 pessoas desalojadas em Pombal
Em algumas freguesias do concelho ainda não há energia elétrica nem água nas torneiras.
Retomada circulação na Linha do Norte entre Castanheira do Ribatejo e Alverca
A circulação ferroviária na Linha do Norte no troço entre a Castanheira do Ribatejo e Alverca, concelho de Vila Franca de Xira, Lisboa, que estava suspensa devido a inundação da via, foi retomada às 09:30, segundo a CP.
Na rede social Facebook, a CP indica que, na sequência do temporal de quarta-feira, a circulação ferroviária continua suspensa e sem previsão de retoma nos Urbanos de Coimbra, na Linha do Douro, entre Régua e Pocinho, na Linha do Oeste e na Linha do Norte, com supressão dos serviços de Longo Curso entre Braga e Lisboa.
Na nota, a CP - Comboios de Portugal adianta que no domingo foi reposto o serviço Intercidades, na Linha da Beira Alta, no troço Coimbra B - Guarda, com recurso a UTE 2240 (utilização temporária de automotoras elétricas da série 2240).
Foi igualmente reposto no domingo o serviço regional entre Entroncamento e Soure, na Linha do Norte.
Três desalojados confirmados na Figueira da Foz
As pessoas que ficaram desalojadas foram abrigadas em habitações de familiares.
No local do acidente estão a decorrer trabalhos para a remoção da grua que tombou.
Associação de Vítimas de Pedrógão Grande acusa Governo de resposta lenta
A Associação de Vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande (AVIPG) acusou o Governo de resposta "lenta, insuficiente e distante" na sequência da depressão Kristin, e considerou que o Interior do país esteve sozinho.
"O que dói ainda mais é perceber que, mesmo com alertas, a resposta do Governo foi lenta, insuficiente e distante. O Estado demorou a responder e, principalmente, a chegar quando era mais necessário", referiu a associação numa nota enviada à agência Lusa.
No texto, a AVIPG, criada após os incêndios de 2017 em Pedrógão Grande (distrito de Leiria), sustentou que a depressão "veio ao Centro de Portugal e deixou marcas profundas", como "estradas cortadas, árvores derrubadas, casas destelhadas, famílias com dias sem eletricidade, sem água, sem comunicações".
"Mais uma vez, vimos o Interior sozinho a enfrentar a tempestade", adiantou, salientando não se tratar de números, mas de pessoas, como idosos sozinhos, crianças assustadas e "famílias que sentiram o medo e a incerteza no corpo e na alma".
A associação destacou que quem nunca falhou e esteve ao lado das populações foram "as autarquias locais, os funcionários municipais, os bombeiros locais, os voluntários e todos os agentes da Proteção Civil que trabalham, vivem e respiram este território".
"Foram eles que abriram caminhos, que levaram comida, água e conforto, que verificaram casa a casa para ver se alguém precisava de ajuda", pessoas que "garantiram o essencial quando tudo parecia perdido".
Além disso, "como sempre, foi o povo do Interior que se levantou".
"Pessoas cansadas de tantas crises, mas com coragem de sobra. Foi a resiliência das nossas comunidades que brilhou, mas essa força não pode servir de desculpa para a falta de ação de quem nos governa a nível central".
Assegurando que conhece "demasiado bem a dor do abandono, o peso de esperar por respostas que nunca chegam, a luta por justiça e reconhecimento", a associação de vítimas prometeu não se calar, exigindo "respeito pelas populações do Interior", mas também "prevenção séria, comunicação clara, apoios rápidos e coordenados".
"Exigimos que os municípios não fiquem sozinhos a carregar problemas que são de todos. Exigimos que as pessoas sejam prioridade, não estatística", adiantou a AVIPG, que rejeitou privilégios, mas que exigiu "justiça e dignidade", para que "viver no Interior não signifique estar sempre no fim da fila".
Pedindo que as comunidades no Interior do país "sejam protegidas como merecem", a associação, dirigindo-se a todas as pessoas afetadas, garantiu que "não estão sozinhas", pois a AVIPG luta "para que nenhuma comunidade seja esquecida".
"Porque a dignidade das pessoas não se adia. E o Interior também é Portugal".
Os incêndios que deflagraram em junho de 2017 em Pedrógão Grande e que alastraram a concelhos vizinhos provocaram a morte de 66 pessoas, além de ferimentos a 253 populares, sete dos quais graves. Os fogos destruíram cerca de meio milhar de casas e 50 empresas.
A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, causou pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho. No sábado, outros dois homens morreram ao caírem de um telhado que estavam a reparar, um no concelho da Batalha e outro em Alcobaça. Na madrugada de domingo, um homem morreu no concelho de Leiria por intoxicação com monóxido de carbono com origem num gerador.
Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.
Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade, que foi prolongada após uma reunião do Conselho de Ministros, até domingo.
Câmara de Leiria disponibiliza apoio psicológico
A Câmara de Leiria disponibiliza desde hoje apoio psicológico para ajudar pessoas que estão "numa situação de grande fragilidade emocional" devido ao impacto do mau tempo, disse a vereadora Ana Valentim.
"Já tínhamos implementado, desde o início da catástrofe, apoio social na Câmara Municipal. Temos uma equipa a fazer atendimento social a pessoas que precisem de apoio e agora vamos complementar com apoio psicológico", afirmou à agência Lusa Ana Valentim, que tem o pelouro do Desenvolvimento Social.
Segundo a autarca, "as pessoas estão numa grande fragilidade psicológica e precisam de algum apoio", pelo que a autarquia tem "uma equipa de duas psicólogas que irá estar disponível todos os dias para fazer esse atendimento".
"Além disso, vamos reforçar com uma psicóloga na freguesia da Maceira, que está a ter uma grande afluência de pessoas. Já lá temos uma técnica de serviço social a fazer acompanhamento, mas vamos reforçar também com uma psicóloga", adiantou.
Reiterando que, "no meio desta catástrofe, as pessoas estão numa situação de grande fragilidade emocional, precisam de apoio, precisam de alguém que as oiça e que, de facto, lhes dê algum acompanhamento e algum alento no meio desta tragédia", a autarca salientou que, "por isso, o apoio psicológico é fundamental".
De acordo com Ana Valentim, existe "uma grande ansiedade".
"Há uma grande fragilidade emocional, porque há pessoas que perderam as suas casas, perderam os seus postos de trabalho e não conseguem projetar aquilo que é o futuro. E veem realmente uma nuvem muito negra naquilo que é o seu futuro enquanto pessoas e enquanto famílias", admitiu.
A vereadora acrescentou que o município tem "também equipas no terreno a diagnosticar situações de pessoas mais frágeis, nomeadamente os idosos".
Aquelas "estão a fazer um bocadinho um trabalho de porta a porta para perceber quais é que são as situações mais vulneráveis e que tenham de ser encaminhadas, nomeadamente para as estruturas de acolhimento ou, inclusivamente, para lares de idosos", explicou, realçando que "os lares do concelho estão a dar resposta".
"Se tivermos uma situação de um idoso que precise de ser realojado, é muito melhor acolhê-lo numa estrutura residencial", defendeu.
Sete distritos sob aviso laranja devido à agitação marítima, vento e queda de neve
Toda a costa portuguesa e sete distritos do continente estão hoje e terça-feira sob aviso laranja devido à agitação marítima e à queda de neve, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
O IPMA colocou os distritos de Viana do Castelo, Porto, Aveiro, Coimbra, Braga, Leiria, Lisboa, Setúbal, Beja e Faro sob aviso laranja entre as 12:00 de hoje e as 00:00 de terça-feira devido à agitação marítima, prevendo-se ondas de noroeste com 05 a 06 metros, podendo atingir 11 metros de altura máxima, passando depois a amarelo.
Os distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto, Castelo Branco, Guarda, Viseu e Vila Real também vão estar sob aviso laranja entre as 09:00 de hoje e as 18:00 de terça-feira por causa da queda de neve acima de 800/1000 m, com acumulação que poderá ser superior a 15 centímetros acima de 1000/1200 metros.
Os distritos de Leiria, Lisboa e Setúbal estão sob aviso amarelo até às 15:00 de hoje devido à previsão de vento forte com rajadas até 75 quilómetros por hora, sendo até 95 nas serras.
O IPMA emitiu também aviso laranja para a costa norte da ilha da Madeira e o Porto entre as 15:00 de hoje e as 03:00 de terça-feira devido à agitação marítima, prevendo-se ondas de noroeste com 05 a 06 metros, podendo atingir 10 metros de altura máxima, passando depois a amarelo até às 00:00 de quarta-feira.
Também a costa sul da ilha da Madeira está sob aviso amarelo por causa do estado do mar entre as 15:00 de hoje e as 03:00 de terça-feira, prevendo-se ondas de oeste com 04 a 05 metros.
O aviso laranja é emitido pelo IPMA sempre que existe "situação meteorológica de risco moderado a elevado, e o amarelo quando há uma situação de risco para determinadas atividades dependentes da situação meteorológica.
Derrocada em Campolide, em Lisboa, obriga ao corte da Calçada da Estação
Proteção civil registou 263 ocorrências entre as 00h00 e as 08h00
A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) registou 263 ocorrências, entre as 00h00 e as 08h00 relacionadas com o mau tempo, a maioria na região de Lisboa e Vale do Tejo, disse à Lusa Telmo Ferreira.
"Entre as 00h00 e as 08h00 foram registadas 263 ocorrências, das 135 quedas de árvores, 58 inundações, 41 quedas de estruturas, 18 movimentos de massa e 10 limpezas de via.
A situação mais gravosa ocorreu na Figueira da Foz com a queda de uma grua sobre cinco prédios, que não causou vítimas, mas sim desalojados", disse.
Vento forte provoca queda de grua na Figueira da Foz
Proteção Civil registava pelo menos 119 ocorrências esta madrugada
Segundo a página da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) na Internet, a maioria das ocorrências relacionava-se com queda de árvores e queda de estruturas, causadas pela ação do vento.
A maioria das restantes ocorrências esteve relacionada com inundações, limpeza de vias ou deslizamento de terras, referiu a ANEPC.
As zonas mais afetadas são as regiões do Centro (59 ocorrências) e de Lisboa e Vale do Tejo (39).
Barragens libertaram 500 milhões de metros cúbicos de água
A tempestade Kristin obrigou a fazer descargas para evitar cheias descontroladas
Em todo o país as barragens libertaram 500 milhões de metros cúbicos de água, revela o Público.
A situação na zona do Mondego é a mais preocupante.
Arquipélago da Madeira sob aviso amarelo devido ao vento forte
O arquipélago da Madeira está hoje sob aviso amarelo devido aos ventos fortes, alertou o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
Num comunicado, o IPMA sublinhou a possibilidade de ocorrência de rajadas de vento até 75 quilómetros por hora (km/h), que podem chegar aos 100 km/h nas regiões montanhosas.
A costa norte da ilha da Madeira e a ilha de Porto Santo irão também estar sob aviso amarelo devido à agitação marítima, a partir das 06:00, sendo esperadas ondas de noroeste com entre quatro e cinco metros de altura.
As ondas serão ainda maiores, com cinco a seis metros, podendo atingir 10 metros de altura máxima, a partir das 15:00, levando o IPMA a elevar para o aviso laranja na costa norte da ilha da Madeira e na ilha de Porto Santo.
No caso da costa sul da ilha da Madeira, será emitido o aviso amarelo para a agitação marítima, também às 15:00, devido a ondas com entre quatro e cinco metros de altura.
O mau tempo também colocou 14 distritos de Portugal continental sob aviso laranja, segundo o IPMA, que emitiu avisos amarelos apenas para Bragança, Santarém, Portalegre e Évora.
Nos distritos do litoral são esperados ventos fortes e agitação marítima, que se vai prolongar até quarta-feira, segundo o IPMA que no seu site coloca já todo o litoral sob aviso laranja, o segundo mais elevado da escala.
A neve também é responsável pelos avisos laranja de sete distritos nortenhos: Braga, Viana do Castelo, Porto, Vila Real, Viseu, Guarda e Castelo Branco.
Até às 06:00, todo o país poderá ter "períodos de chuva ou aguaceiros por vezes fortes, podendo ser de granizo e acompanhados de trovoada", segundo o IPMA, que emite apenas avisos amarelos para a precipitação.
Segundo o site do IPMA as condições climatéricas vão melhorar na quarta-feira, em especial nas regiões do centro e sul.
O aviso laranja é emitido pelo IPMA sempre que existe "situação meteorológica de risco moderado a elevado, e o amarelo quando há uma situação de risco para determinadas atividades dependentes da situação meteorológica.
A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, causou pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho. No sábado, outros dois homens morreram ao caírem de um telhado que estavam a reparar, um no concelho da Batalha e outro em Alcobaça. Na madrugada de domingo, um homem morreu no concelho de Leiria por intoxicação com monóxido de carbono com origem num gerador.
Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.
Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade, que foi prolongada este domingo, após uma reunião do Conselho de Ministros, até dia 08 de fevereiro.
Atrasos e supressões nas ligações fluviais entre Cacilhas e Lisboa
Pelo menos duas ligações foram suprimidas entre Cacilhas e o Cais do Sodré e outras ligações estão com atrasos, segundo o site da Transtejo.
A empresa informa que por motivo de constrangimentos operacionais decorrentes das condições meteorológicas e de mar, "não é possível garantir a realização de todas as carreiras previstas" nas ligações Trafaria-Porto Brandão-Belém e Cacilhas-Cais do Sodré.
"Com o objetivo de minimizar o impacto de supressões e atrasos de carreiras, alguns navios iniciam viagem logo que seja alcançada a lotação máxima de passageiros embarcados, independentemente do horário previsto", refere a empresa, numa nota publicada às 6h05.
A Transtejo é responsável pelas ligações do Seixal, Montijo, Cacilhas e Trafaria/Porto Brandão, no distrito de Setúbal, a Lisboa.
Queda de grua na Figueira da Foz obriga a realojamento de seis pessoas
Seis pessoas tiveram de ser realojadas durante a noite após a queda de uma grua sobre cinco prédios no centro da Figueira da Foz, informou hoje o Comando Sub-regional de Emergência e Proteção Civil da Região de Coimbra.
A ocorrência foi registada às 3h05 na Rua Bernardo Lopes.
À Lusa, cerca das 6h00, fonte do Comando Sub-regional de Emergência e Proteção Civil da Região de Coimbra apontou que a grua caiu sobre cinco prédios, tendo sido necessário retirar os moradores e realojar seis pessoas.
"As autoridades detetaram algumas deficiências nas infraestruturas e estão a ser tomadas medidas", disse a fonte.
Já fonte dos Bombeiros Sapadores da Figueira da Foz indicou que "não foram registados feridos, mas os danos serão consideráveis".
A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, causou pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho. No sábado, outros dois homens morreram ao caírem de um telhado que estavam a reparar, um no concelho da Batalha e outro em Alcobaça. Na madrugada de domingo, um homem morreu no concelho de Leiria por intoxicação com monóxido de carbono com origem num gerador.
Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.
Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade, que foi prolongada este domingo, após uma reunião do Conselho de Ministros, até dia 08 de fevereiro.
Circulação suspensa na Linha do Norte entre Castanheira do Ribatejo e Alverca
A circulação ferroviária na Linha do Norte no troço entre a Castanheira do Ribatejo e Alverca, concelho de Vila Franca de Xira, Lisboa, estava hoje pelas 6h00 suspensa devido a inundação na via, segundo a CP - comboios de Portugal.
Na rede social Facebook, a CP indica que, na sequência do temporal de quarta-feira, a circulação ferroviária continua suspensa e sem previsão de retoma devido ao mau tempo nos Urbanos de Coimbra, na Linha do Douro, entre Régua e Pocinhho, na Linha do Oeste e na Linha do Norte, com supressão dos serviços de Longo Curso entre Braga e Lisboa.
Na nota, a CP - Comboios de Portugal adianta que no domingo foi reposto o serviço Intercidades, na Linha da Beira Alta, no troço Coimbra B - Guarda, com recurso a UTE 2240 (utilização temporária de automotoras elétricas da série 2240).
Foi igualmente reposto no domingo o serviço regional entre Entroncamento e Soure, na Linha do Norte.
A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, causou pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados.
A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho. No sábado, outros dois homens morreram ao caírem de um telhado que estavam a reparar, um no concelho da Batalha e outro em Alcobaça. Na madrugada de domingo, um homem morreu no concelho de Leiria por intoxicação com monóxido de carbono com origem num gerador.
Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.
Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade, que foi prolongada este domingo, após uma reunião do Conselho de Ministros, até dia 08 de fevereiro.
Ativado Plano Nacional de Emergência de Proteção Civil
O Plano Nacional de Emergência de Proteção Civil foi hoje ativado no território nacional, devido à previsão de "agravamento do cenário de risco para pessoas e bens" nos próximos dias, após a destruição causada pela depressão Kristin.
A ativação do Plano Nacional de Emergência de Proteção Civil (PNEPC) foi aprovada por unanimidade na primeira reunião extraordinária de 2026 da Comissão Nacional de Proteção Civil (CNPC), a que presidiu a ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, refere um comunicado da CNPC.
Esta decisão, prende-se com a "elevada precipitação esperada e seus impactos do ponto de vista hidrológico, nomeadamente ao nível de cheias e inundações (...), efeitos [que] incidem de forma cumulativa sobre um território já afetado pelas consequências da recente depressão Kristin", refere o comunicado.
"Com a ativação do PNEPC ficam preventivamente garantidos mecanismos de coordenação reforçados, integrados e de âmbito nacional", indicou a CNPC, destacando "em particular, o estabelecimento de um fluxo de informação ininterrupto entre todas as áreas governativas e as entidades envolvidas, em apoio à direção do plano", que será assumida pela ministra.
A CNPC precisou também que "os mecanismos previstos no PNEPC serão acionados de forma gradual e flexível, em função da evolução da situação e sempre que tal se revele necessário, com o objetivo de assegurar uma resposta eficaz e articulada à situação de risco".
Segundo a Comissão Nacional de Proteção Civil, órgão de coordenação política em matéria de proteção civil, na reunião "participaram os responsáveis das várias entidades que integram o Sistema Nacional de Proteção Civil", que não fizeram declarações à comunicação social, e "os trabalhos centraram-se na análise da situação hidrometeorológica adversa e na avaliação da sua evolução previsível".
A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, causou pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados.
A Câmara da Marinha Grande contabilizou ainda uma outra vítima mortal no concelho.
No sábado, outros dois homens morreram ao caírem dos telhados que estavam a reparar, um no concelho da Batalha e outro em Alcobaça.
Na madrugada de hoje, um homem morreu no concelho de Leiria por intoxicação com monóxido de carbono com origem num gerador.
Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.
Leiria, por onde a depressão entrou no território continental, Coimbra e Santarém são os distritos que registaram mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade, que foi hoje prolongada até 08 de fevereiro, numa reunião extraordinária do Conselho de Ministros.